Cardiologista Thalita Merluzzi, fala sobre as particularidades de infartos em mulheres

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Subtítulo: Dia 8 do março é comemorado o dia internacional da mulher, a data celebrada em todo mundo também serve para alertar sobre cuidados com a saúde.

Thalita Merluzzi, é médica cardiologista e explica as principais particularidades da doença coronária, o infarto, com dados relevantes que servem de alerta para a prevenção e principais causas da doença.

Os principais fatores de risco clássicos para doenças cardiovasculares são hipertensão arterial, dislipidemia (alterações do colesterol e triglicérides), diabetes, obesidade, dieta não saudável, sedentarismo, abuso de álcool e tabagismo, tanto para homens quanto para mulheres. No estudo InterHeart, a hipertensão arterial mostrou uma correlação maior com risco futuro de infarto do miocárdio em mulheres do que em homens. Outro fator de risco cardiovascular é a obesidade central, mais comum em mulheres do que em homens, principalmente em mulheres pós-menopausa.

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Parte desta diferença fisiológica pode ser explicada pelo hormônio estrogênio produzido pelos ovários. Um dos efeitos positivos do estrogênio é melhorar a função do endotélio (camada interna dos vasos sanguíneos) diminuindo o potencial para formação de placas. Com isso, antes da menopausa, as mulheres tendem a apresentar risco cardiovascular menor do que homens. Alguns estudos sugerem que este benefício desaparece em mulheres diabéticas com controle glicêmico inadequado. A partir da menopausa, com a redução da concentração do estrogênio, o risco cardiovascular das mulheres tendem aumentar, quando em média, após 10 anos se iguala a homens de mesma faixa etária.

esse fator de proteção vem se mostrando cada vez menos eficiente, pode
ser porque a mulher tem dupla e até triplas jornadas, ao se dividir entre o trabalho, cuidado com os filhos e afazeres domésticos. Isso eleva o estresse, associado, muitas vezes, à falta de atividade física, má alimentação, tabagismo e consumo em excesso de bebidas alcoólicas.

A prevalência de infarto do miocárdio em mulheres está aumentando. Segundo relatório de 2021, da Associação Americana de Cardiologia, a sobrevida depois do infarto é de 8,2 anos para homens e apenas 5,5 anos para mulheres.

“Essa é uma tendência mundial e as razões podem ser muitas, incluindo a falta de conscientização e orientação sobre esses problemas, questões socioeconômicas e aumento de fatores de risco, como tabagismo, obesidade e diabetes. Ainda tem o fato de as mulheres estarem sob um estresse maior e por mais tempo, devido ao excesso de atividades e porque elas tendem a querer dar conta de muitas tarefas simultaneamente em sua rotina diária. Somado a isso, os sintomas nelas podem ser resumidos a uma dor mais genérica e de difícil diagnóstico, o que faz com que muitas sequer procurem ajuda médica ou não sejam tratadas corretamente”, explica a cardiologista Thalita Merluzzi.

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Os sintomas do infarto feminino são geralmente diferentes da clássica dor no peito relatada por homens, entre eles estão náuseas, vômitos, indisposição, cansaço excessivo sem causa aparente, dor nas costas e no pescoço, falta de ar. Assim, os sinais de doenças cardiovasculares nas mulheres podem ser resumidos a uma dor mais genérica e de difícil diagnóstico, o que faz com que muitas nem sequer procurem ajuda médica ou não sejam tratadas corretamente.

Algumas hipóteses para essa diferenciação nos sintomas são as características biológicas, como a variação hormonal que ocorre na gestação e, que pode agravar problemas já existentes. A negação ou subestimação do problema, causando atraso no tratamento, maior resistência à dor, fatores físicos e psicológicos, entre outros.

Thalita diz que principalmente porque sabe-se que é possível prevenir 80% das mortes prematuras por doenças cardíacas com algumas medidas simples. “Devemos implementar ações de prevenção primária e conscientizar a população sobre os sinais e sintomas dessas doenças nas mulheres”, reforça a cardiologista.

As doenças cardiovasculares são um problema de saúde pública, não só no Brasil, mas no mundo, que possui mais de meio bilhão de indivíduos com essas enfermidades. No país, são 14 milhões de brasileiros acometidos por doenças cardíacas. O problema é grave porque essas doenças, principalmente o infarto, são responsáveis por mais de 30% das mortes no Brasil. Uma mortalidade de 380 mil brasileiros todos os anos.

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