Leonora Áquilla: A luta pela diversidade e representatividade na política brasileira

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Leonora Áquilla, uma figura emblemática e atuante na defesa dos direitos da comunidade LGBTQIAPN+, tem se destacado como Coordenadora Municipal da Diversidade, Presidente do MDB Diversidade, Deputada Federal Suplente e Conselheira do CONAV-SP. Em uma entrevista exclusiva para a Revista Digital Adames News, Léo compartilhou sua visão sobre o papel da diversidade na política brasileira, os desafios enfrentados por grupos minorizados, o impacto de sua atuação nas discussões de inclusão e representatividade, além da importância da participação de mulheres e pessoas LGBTQ+ nos cargos políticos. Acompanhe a seguir a riqueza de suas reflexões e experiências na busca por uma sociedade mais justa e igualitária.

1. Como você enxerga o papel da diversidade na política brasileira e de que forma isso influencia as decisões e políticas públicas?

Ainda temos poucos representantes na política, o que torna os desafios ainda gigantescos. Diante desta realidade, é urgente que a cada eleição tenhamos mais representantes da comunidade LGBTQIAPN+ eleitos, para que possamos tornar nossas pautas visíveis. Esta conscientização da nossa população faz parte de um árduo trabalho, porque muitos dizem não gostar de política, mas esquecem que “os que não governam, serão governados”. Temos uma jornada longa pela frente. Estamos num ano de eleições municipais e precisamos eleger mais dos nossos. Isto serve para dizer que, para realizarmos políticas públicas eficientes, precisamos conhecer a fundo as demandas e as problemáticas, para que possamos contemplar o que chamamos de direitos humanos.

2. Quais são os principais desafios enfrentados por indivíduos pertencentes a minorias dentro do cenário político atual, e como você acredita que tais desafios podem ser superados?

Leonora Áquilla
Leonora Áquilla

Neste momento de desconstrução e reconstrução, primeiro precisamos atualizar os termos. Hoje em dia, não falamos mais em “minorias” e sim em “grupos minorizados”. Nossas pautas são bastante segmentadas e, sim, precisamos de aliados, porque a tendência é que as pessoas não defendam aquilo que não vivem na pele. Desta forma, é necessário ocupar espaços com legitimidade, no cotidiano. Muita gente discursa sobre a necessidade de mais diversidade e inclusão, mas precisamos sair da retórica para a prática. Ver LGBTs em todos os lugares é o objetivo maior. Os grandes desafios são sempre a garantia de direitos plenos, a segurança (num País que mais mata LGBT+ no mundo por 15 anos seguidos), empregabilidade e respeito. Tudo isto deveria ser natural, mas ainda é bandeira de luta.

3. Como a sua atuação como Coordenadora Municipal da Diversidade e Presidente do MDB Diversidade tem impactado as discussões e ações relacionadas à inclusão e representatividade?

Eu sou consciente do meu papel e das minhas limitações nesta pasta. No entanto, não me reservo ao lugar comum, até porque sou a primeira mulher trans a ocupar esta cadeira e isso é muito emblemático. Faço parte da sigla mais invisibilizada dentro deste guarda-chuva queer, mas não me limito e tenho consciência de que devo encorajar outros homens e mulheres trans e travestis a entenderem quem são e onde podem chegar. Mas toda a comunidade LGBT+ tem entendido cada vez mais a minha legitimidade de atuação, principalmente no combate à LGBTfobia e nas ações afirmativas de empregabilidade. Temos conseguido, através da Coordenação de Políticas para LGBTI+ da Prefeitura de São Paulo, sensibilizar pessoas, instituições e empresas para questões de gênero e da necessidade de respeito à diversidade. Somos um canal oficial que inspira as pessoas a exercerem sua liberdade e todas suas expressões e este é um caminho sem volta. Também lutamos para garantir todos os direitos já adquiridos e ampliação dos mesmos, para que todos, todas e todes se sintam pertencentes. Mas é claro que o meio escopo de atuação, neste momento, limita-se apenas à cidade de São Paulo, onde minha pasta atua.

Leonora Áquilla
Leonora Áquilla

4. Qual é a importância da participação de mais mulheres e pessoas LGBTQ+ nos cargos políticos, e como isso pode influenciar a sociedade como um todo?

As mulheres, sejam cis ou trans, precisam estar representadas cada vez mais, em todas as esferas de poder, para combater tantas injustiças e desigualdades. Mas precisamos também que mulheres entendam que o feminismo não pode excluir mulheres trans. Na atualidade, ainda sofremos muito com uma sociedade normativa machista, que ainda coloca as mulheres em patamares inferiores, até mesmo quando falamos em cargos e salários dentro das empresas. As questões de gênero precisam ser discutidas à exaustão e as mulheres precisam ser encorajadas a caber em qualquer lugar que desejam também. Diferentemente do que muitos pensam e julgam, há muito tempo a mulher deixou de ser o sexo frágil.

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