Até quando MC vai ser tratado como bandido? O caso MC Tuto expõe o preconceito histórico contra o funk

MC Tuto, o fenômeno do funk periférico que conquistou o Brasil com talento e suor, enfrenta o momento mais difícil da carreira. Aos 25 anos, o artista que transformou sonhos de Ermelino Matarazzo em milhões de ouvintes agora vê o peso do preconceito recair sobre si — mais uma vez, um funkeiro julgado antes das provas.

Raízes de uma história de superação

Nascido em 9 de julho de 2000, na Zona Leste de São Paulo, Emerson Teixeira Muniz cresceu em meio à luta da periferia e ao som que pulsa nos becos. Quis ser jogador do Juventus, mas o destino o levou à música. Trabalhou em padaria, lava-jato e na distribuição de panfletos, sustentando o sonho de viver da arte — longe das manchetes policiais e perto das batidas que hoje movimentam o país.

Inspirado por MC Menor da VG, sem nunca negar o sertanejo ouvido em casa, Tuto construiu sua trajetória passo a passo. Da independência aos palcos internacionais, foi sua garra que ergueu a Porsche com a qual hoje é apontado e julgado.

Do anonimato ao topo das paradas

Desde 2020, MC Tuto é nome conhecido nas playlists e rádios. “A Danada Me Ligando” virou hit em 2022; “Barbie” lhe rendeu indicação ao Grammy Latino, com 285 milhões de streams; e “The Box Medley Funk 2” consolidou seu domínio entre 2024 e 2025.

Com 12,8 milhões de ouvintes mensais no Spotify e contrato assinado com a Universal Music em 2025, ele provou que o funk é movimento social, gênero global e instrumento de ascensão — não de marginalização. Venceu o Prêmio Multishow como Melhor Funk, simbolizando a força de uma geração que transforma batidas em oportunidades.

O artista que doa e inspira

Longe dos estereótipos que insistem em criminalizar funkeiros, MC Tuto é conhecido pelo trabalho solidário. Todos os meses, doa alimentos e participa de campanhas de arrecadação de roupas de frio, ajudando famílias da periferia paulistana. Simples e acessível, o cantor é lembrado pelos amigos como um jovem humilde, preocupado com o próximo — um exemplo de que o funk pode, sim, construir e transformar.

Acidente e julgamento precipitado

No dia 24 de janeiro de 2026, durante a gravação de um clipe em Barueri, Tuto atropelou acidentalmente o jovem Gabriel Luiz Berrelhas Alves, de 20 anos, que está em estado grave. Testes confirmaram: nada de álcool, nada de drogas. O funkeiro prestou socorro imediato, acionou as autoridades e seguia a cerca de 30 km/h, em um local com pouca sinalização e com o pisca-alerta ligado.

Mesmo assim, sua prisão preventiva foi decretada. O que seria uma investigação normal para qualquer cidadão virou espetáculo midiático. O “menino da Porsche comprada com suor” virou manchete criminal — um retrato cruel da seletividade que ainda marca o tratamento dado aos artistas do funk.

Até quando o funk será julgado?

O caso MC Tuto reacende um debate urgente: por que o funk, herdeiro direto do samba e da capoeira perseguidos, ainda é tratado como crime? Por que o artista da periferia precisa provar inocência enquanto tantos outros são poupados pela aparência ou pelo sobrenome?

MC Tuto não fugiu, não se escondeu, não negou ajuda. O que enfrenta agora não é apenas um processo judicial — é o preconceito de um sistema que ainda associa sucesso periférico à suspeita.

O Brasil cultural precisa se perguntar: até quando?

Até quando a periferia será obrigada a se desculpar por vencer? Até quando o funk precisará gritar para ser reconhecido como o que sempre foi — cultura, resistência e arte popular?

Liberdade para MC Tuto. Justiça para todos. E respeito ao funk, que há décadas é voz, ritmo e identidade do povo brasileiro.

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