Carla Prata, Rainha de Bateria da Acadêmicos do Tucuruvi, protagonizou um dos momentos mais emocionantes do ensaio técnico da escola ao transformar a avenida em um espaço de memória, resistência e homenagem. Com uma fantasia carregada de significado, a sambista levou para o centro do espetáculo uma história pessoal marcada pela dor, mas também pela força: a lembrança de seu pai, Jorge, grande apaixonado por motocicletas, que faleceu de forma trágica após ser atropelado por um caminhão enquanto seguia para o trabalho de moto.
Mais do que um tributo íntimo, Carla Prata ampliou essa narrativa ao representar milhares de brasileiros que enfrentam diariamente os riscos das ruas. A proposta dialoga diretamente com o samba-enredo da Acadêmicos do Tucuruvi para o Carnaval de 2026, intitulado “Anti-Heróis”, que presta homenagem aos motoqueiros e entregadores do país — personagens anônimos do cotidiano urbano, muitas vezes invisibilizados, mas essenciais para o funcionamento das grandes cidades.
Para traduzir essa mensagem na avenida, a Rainha de Bateria apostou em um figurino impactante, que mistura realidade, moda e conceito urbano. A fantasia foi pensada como uma extensão da própria história contada pelo enredo, estabelecendo uma conexão direta entre emoção, estética e discurso social. O destaque inicial ficou por conta de um body de couro com recorte profundo, referência direta ao vestuário dos motociclistas, evocando força, atitude e sensualidade, sem perder o caráter simbólico da homenagem.
O visual ganhou ainda mais potência com um capacete inteiramente cravejado de cristais, peça central da composição. O acessório, tradicionalmente associado à proteção, surge ressignificado como elemento de brilho e protagonismo, unindo segurança e glamour em uma releitura sofisticada do universo das motos. Integrados ao corpo, guidão e farol reais foram incorporados à fantasia como elementos cenográficos, reforçando a fusão entre moda e realidade e aproximando ainda mais o figurino da vivência cotidiana dos trabalhadores homenageados.
A composição se completa com uma mochila com bateria acoplada, clara referência aos entregadores urbanos que cruzam as cidades diariamente, além de botas de cano alto com salto fino, que reforçam imponência, resistência e presença cênica. Cada detalhe foi pensado para simbolizar quem ocupa as ruas, o espaço urbano e, agora, a avenida, com protagonismo e dignidade.
Com quase 10 quilos, a fantasia também evidencia o peso simbólico e físico da homenagem. Ao desfilar com firmeza e emoção, Carla Prata transformou sua dor em discurso coletivo e reafirmou o poder do Carnaval como espaço de memória, denúncia e valorização de histórias reais que ecoam muito além da folia.
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