Para Priscilla Bernades, especialista em comunicação médica da DocVerso, resultados eram previsíveis pelo excesso de faculdades, mas a omissão digital de profissionais éticos agrava riscos à saúde pública
A divulgação dos resultados do Enamed, exame que avalia a formação dos estudantes de Medicina no país, acendeu um alerta vermelho no setor educacional e na saúde. Com um índice elevado de reprovação, diversas faculdades de Medicina ficaram abaixo do desempenho esperado, levantando questionamentos sobre a qualidade do ensino, a expansão acelerada de cursos e a real preparação dos futuros médicos para o exercício profissional.
O cenário preocupa não apenas instituições de ensino e órgãos reguladores, mas também o próprio mercado de trabalho médico, que passa a receber profissionais com formações muito desiguais. Para especialistas em comunicação e posicionamento profissional na área da saúde, o impacto reflete diretamente na atuação clínica, na segurança do paciente e na capacidade do médico de construir autoridade e confiança diante da sociedade.
Para Priscilla Bernardes, CEO da DocVerso, os resultados desastrosos eram previsíveis devido à explosão de novas instituições. "Se olharmos o histórico, de 1908 até 2011, havia um ritmo, mas entre 2011 e 2021, foram abertas cerca de 180 novas escolas. Perdeu-se de vista o controle de qualidade", pontua, acrescentando que, após esse período, medidas tentaram conter o avanço, mas o mercado já sente o reflexo desse excesso.
No entanto, a especialista alerta que a postura do "médico low profile virtuoso" foi um ponto importnat epara ser observado. Trata-se daquele profissional ético, com residência e técnica impecável, que opta por não estar nas redes sociais. "Ao se omitirem digitalmente, esses bons médicos deixaram um vácuo que foi ocupado por charlatões. Pessoas sem qualificação aprendem a linguagem médica, o 'mediquês', convencem o paciente e cobram barato", argumenta Priscilla Bernardes.
Essa ausência digital tem consequências graves, exemplificadas em tragédias recentes como os casos de peeling de fenol realizados por não-médicos. Priscilla defende que o Juramento de Hipócrates, que prevê "não causar dano", hoje abrange a omissão. "É uma questão de responsabilidade sanitária e social. O médico precisa ocupar esse espaço para proteger o paciente de danos causados pela desinformação", afirma.
Priscilla Bernardes finaliza explicando que o caso Enamed deve servir como um marco para entender que o mundo está digitalizado. "Hoje, é impossível para o médico se recusar a estar na rede social. A presença digital deixou de ser apenas marketing e tornou-se uma ferramenta obrigatória para a defesa da boa medicina e proteção da sociedade", conclui.
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