Folia de Reis de Nova Fátima Goiás se consolida como fenômeno cultural

A tradicional Folia de Reis de Nova Fátima, em Hidrolândia (GO), consolida-se como um dos maiores eventos de religiosidade cultural do estado, reunindo cerca de 10 mil pessoas ao longo dos dias de celebração.

Com aproximadamente 80 anos de tradição, a folia é atualmente considerada a maior da região em número de foliões.

Os foliões são devotos que acompanham a bandeira da Folia de Reis e realizam o chamado “giro”, visitando casas que recebem a folia como forma de devoção e cumprimento de promessas. Em Nova Fátima, cerca de 150 foliões participam ativamente do giro, muitos deles tocando instrumentos característicos da tradição, como sanfona, zabumba, pandeiro e violão.

A festa ocorreu nos dias 8, 9 e 10 de janeiro, no Distrito de Nova Fátima, localizado a cerca de 25 minutos de Goiânia, capital do estado.

Nova Fátima: cultura, fé e turismo rural

O Distrito de Nova Fátima é um charmoso distrito de Hidrolândia, conhecido nacionalmente pela produção de jabuticaba. O local possui mais de 113 pomares cadastrados, com dezenas de fazendas que somam cerca de 64 mil pés da fruta.

Além da forte tradição religiosa, o turismo rural também se destaca, com recantos, balneários, pontos de encontro para ciclistas e serras utilizadas para trilhas. A região é reconhecida pela beleza natural e pela riqueza cultural e religiosa, levando o nome de Hidrolândia para todo o Brasil.

Simbolismo da Folia de Reis

A Folia de Reis tem origem na tradição cristã que celebra a chegada dos Três Reis Magos — Gaspar, Baltazar e Melchior — ao encontro do Menino Jesus, levando presentes e celebrando seu nascimento. Muitos devotos fazem promessas e votos, sendo um dos mais comuns o de receber a folia em casa, por meio dos pousos.

Juventude mantém a tradição viva

Um dos destaques da Folia de Nova Fátima é a forte participação de jovens, o que garante a continuidade da tradição. Em muitos casos, o interesse surge dentro da própria família e se amplia com a participação de amigos, atraídos pela interação e pela vivência cultural.

“Eu tinha o sonho de usar a fantasia de palhaço desde criança. Ver uma mulher mascarada não é comum, apesar de os mais antigos relatarem que já existiram casos, mas são raros”, relata Maria Eduarda Batista, jovem que neste ano vestiu a fantasia de palhaço da Folia de Reis.

Ela conta que acompanha a folia desde muito pequena, levada pelos pais, e que seu primo também é mascarado desde os 15 anos, reforçando a tradição familiar.

O papel dos mascarados na Folia de Reis

Os palhaços, também chamados de bastiões, simbolizam principalmente os soldados do Rei Herodes, que, segundo a tradição bíblica, perseguiam o Menino Jesus. No entanto, seu papel é multifacetado e varia conforme a região.

Uma das interpretações mais comuns é a de soldados perseguidores, que representam o mal dentro da narrativa popular. Após a conversão simbólica, passam a proteger o Menino Jesus. Na folia, são responsáveis por anunciar a chegada dos foliões e da bandeira nos pousos.

A importância do festeiro

Como em toda Folia de Reis, o festeiro exerce papel central na organização do evento. Cabe a ele definir o trajeto do giro, organizar os pousos, cafés da manhã, almoços e jantares, além de coordenar a passagem da folia pelas casas que desejam receber a bandeira.

Neste ano, a festeira foi Nara Caroline Fernandes, que relembra com emoção a ligação familiar com a tradição:

“Meu avô nos levou para a folia desde criança, meus pais sempre recebem a folia em casa, e hoje meus filhos seguem a tradição. Eles são mascarados, tocam na folia e mantêm viva essa herança cultural”, conta.

Nara destaca que, apesar do crescimento da festa e do aumento da responsabilidade na organização, o giro continua sendo a parte mais importante, por representar o verdadeiro sentido religioso da Folia de Reis. Segundo ela, o principal ensinamento transmitido às novas gerações é que a fé e a religiosidade devem sempre estar acima da festa.

Marco histórico

A folia tomou uma proporção muito grande e hoje se torna inviável sem o apoio da prefeitura do município. Em conversa com o vice-prefeito e morador do Distrito de Nova Fátima, que também é folião e vem de tradição familiar, ele reforça:

“A Folia de Reis de Nova Fátima, a cada ano que passa, toma uma proporção muito grande. Neste ano, esse apoio foi bem maior. Sabemos que muitas pessoas visitam a folia para conhecer essa festa, que já está no calendário cultural do Estado de Goiás.”

Em 2026, a Folia de Reis de Nova Fátima atingiu um marco histórico ao reunir cerca de 10 mil pessoas, somando cafés, almoços e pousos. A tradição segue chamando atenção pela força do simbolismo religioso e pela capacidade de unir fé, cultura e identidade popular.

Por: Flávia Veríssimo

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