Ginecologista alerta para queda global na fertilidade e explica fatores que influenciam 

Dados recentes de estudos epidemiológicos indicam que tanto no Brasil quanto no mundo há uma tendência preocupante de queda nos índices de fertilidade. Fatores ambientais, estilo de vida, diferenças no comportamento reprodutivo e questões de saúde têm contribuído para que casais tenham mais dificuldade em engravidar do que gerações anteriores — um fenômeno que especialistas, como o ginecologista e cirurgião geral Dr. Vinícius Araújo, observam com atenção.

Segundo o médico, referência em cirurgia de endometriose e miomas, e que atua acompanhando pacientes em diversas fases da vida reprodutiva, a percepção de crise de fertilidade não é exagero nem conjectura isolada: “Os dados são claros em apontar uma redução consistente na fertilidade ao longo das últimas décadas. Enquanto fatores biológicos sempre influenciam a capacidade de concepção, hábitos de vida, exposições ambientais e adiamento da maternidade e da paternidade mudaram o panorama de forma real e mensurável”.

Causas multifactoriais da queda na fertilidade

Entre os principais fatores associados a essa tendência estão o envelhecimento reprodutivo — com mulheres adiando a gestação por motivos sociais ou profissionais —, a obesidade, o tabagismo, o estresse crônico e a exposição a poluentes ambientais que atuam como disruptores endócrinos. Dr. Vinícius Araújo, especialista em cirurgia de endometriose e infertilidade,  destaca que todos esses vetores interagem: “Não existe uma única causa isolada. São múltiplos fatores associados que, somados, resultam numa capacidade reprodutiva menor do que a observada no passado. A incidência de doenças relacionadas a infertilidade como endometriose e miomas também parece aumentar. Tanto pela gravidez mais tardia que é um fator de risco, quanto pelo maior número de diagnósticos precoces."

Esses fatores não afetam apenas a concepção espontânea. Estudos também mostram que a qualidade seminal tem diminuído em muitos países e que alterações hormonais ligadas ao estilo de vida contemporâneo complicam ainda mais o processo de engravidar.

Importância da avaliação médica precoce

Para o ginecologista que atende diversos casais com infertildade relacionada a causas como a endometriose, a chave para enfrentar essa crise é a ação preventiva e a avaliação médica precoce. “A recomendação geral é buscar  ajuda após 1 ano de tentativas, porém isso muda de acordo com o grupo da paciente. Paciente com mais de 35 anos devem esperar apenas 6 meses. E em pacientes com doença de alto risco para fertilidade, como a endometriose e miomas, é interessante fazer a avaliação antes mesmo de tentar engravidar. A análise da reserva ovariana, exames hormonais e avaliação do parceiro são ferramentas fundamentais para um plano reprodutivo eficaz.

O papel do estilo de vida na fertilidade

As mudanças de hábitos são citadas por Dr. Vinícius Araújo como medidas que podem beneficiar diretamente a fertilidade. Não é apenas a cirurgia e técnicas avançadas de FIV que irão surtir efeito. Alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, controle de peso, redução do consumo de álcool e cessação do tabagismo são recomendações amplamente apoiadas por evidências. “Pequenas mudanças têm impacto grande no metabolismo hormonal e na saúde reprodutiva como um todo”, afirma.

Fertilidade masculina também importa

Embora muitas campanhas foquem na fertilidade feminina, o médico lembra que até 30% dos casos de infertilidade envolvem fatores masculinos. Sedentarismo, obesidade, uso excessivo de álcool e exposição a calor ou substâncias tóxicas podem reduzir a qualidade do sêmen. “A avaliação do homem é tão importante quanto a da mulher no diagnóstico de infertilidade. A consulta e o problema é sempre sobre o casal”.

Tecnologias e tratamentos disponíveis

Para casais que enfrentam dificuldades persistentes, avanços em medicina reprodutiva, como a fertilização in vitro (FIV) e técnicas de reprodução assistida, ampliam as possibilidades de gestação. Entretanto, Dr. Vinícius ressalta que essas técnicas não substituem hábitos saudáveis e cuidados preventivos: “A tecnologia é aliada, mas não deve ser a primeira e única estratégia”.

Planejamento reprodutivo é autoconhecimento

Ao final, o ginecologista reforça uma mensagem de autocuidado e planejamento: “Entender seu corpo, seus ciclos e fatores de risco, conversar com seu médico antes de adiar a gravidez ou ao planejar uma família, é um passo que faz diferença. Vivemos um momento em que a infertilidade tem causas reais e tratáveis, mas a ação proativa é essencial. Planejamento prévio é vital”.

A complexidade da crise de fertilidade exige um olhar amplo, que combine ciência, estilo de vida e apoio médico desde fases iniciais da vida reprodutiva — para que o desejo de construir uma família possa ser vivido com mais segurança e menos ansiedade.

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