Guerra nos bastidores: compositor alagoano processa Marcynho Sensação por hit

Por trás de um hit que embala multidões e viraliza nas redes sociais, muitas vezes existe uma história que o público desconhece. É o caso da música “Não Quero Só Sexo (Mulher Roleira)”, que ganhou repercussão nacional na voz de Marcynho Sensação, mas cuja origem ainda é motivo de disputa judicial.

O alagoano Ricardo Flor, natural de Ibateguara, afirma ser o verdadeiro autor da canção. Segundo ele, a música foi composta em 2002 e ganhou forma com a sua banda Ragga Ôla, sendo executada ao vivo a partir de 2003. O público alagoano teve os primeiros contatos com o sucesso por meio de apresentações em palcos locais e uma transmissão ao vivo pela Rádio Pajuçara FM em 2004.

Um dos elementos mais marcantes da música é a introdução conhecida como “Solinho Envolvente”, que, segundo Flor, carrega sua assinatura artística. “Essa introdução tem a minha digital. É a minha história ali”, declara.

A situação começou a se complicar em 2005, quando Woldon O Woldo Campos, da banda Caribbean Hits e atual presidente da Ordem dos Músicos do Brasil no Maranhão, registrou a música como sendo de sua autoria. Flor afirma que nem ele nem seus parceiros foram creditados.

O problema ganhou nova dimensão quando, anos depois, a canção foi gravada por Marcynho Sensação, sem que Flor fosse consultado. “Menos de 15 dias antes de o Marcynho gravar, eu encontrei os empresários dele aqui em Maceió. Eles sabiam que a música era uma marca nossa. Falei que estava relançando a banda Ragga Ôla, que tem músicas com identidade própria em seu repertório. Depois… veio o choque”, relata o compositor.

Flor diz que, além de não ser consultado, viu os direitos da obra serem negociados com Woldo Campos, mesmo com o conhecimento de que ele não era o autor original. “Usaram a minha criação, o meu solinho, tudo, sem pedir licença. E ainda deram os créditos para outra pessoa”, lamenta.

Compare:

https://youtu.be/VeQayXcy0kA?si=M5Fu_prVympRf6Da

Diante das tentativas frustradas de resolver a questão de forma amigável, Flor decidiu recorrer à Justiça. O processo tramita na Comarca da Capital da Paraíba, com apoio de advogados especializados em direitos autorais de Alagoas, Ceará e Rio de Janeiro. Como provas, foram anexadas gravações antigas da Ragga Ôla, documentos, reportagens da época e o áudio da transmissão de rádio de 2004.

O caso vem à tona em um momento de maior discussão nacional sobre a proteção dos direitos autorais de compositores. Em 2024, o Brasil acompanhou de perto o processo movido por Toninho Geraes contra a cantora Adele, o que reacendeu o debate sobre autoria, plágio e reconhecimento artístico.

A luta de Ricardo Flor segue com o apoio da fé e da certeza de estar buscando justiça. “Essa música é um pedaço da minha história. Não é só uma melodia. É um filho. E quem é pai sabe: a gente não abandona um filho”, afirma.

Enquanto aguarda o desfecho jurídico espera que sua história sirva de alerta para outros artistas que enfrentam o mesmo tipo de batalha por reconhecimento.

O espaço da coluna Newma Santiago segue aberto para que os demais citados possam, se desejarem, apresentar suas considerações.

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