Introdução alimentar exige atenção a sinais de alergia em bebês, alerta especialista

A pediatra e alergista Dra. Alexânia Goto explica como identificar sinais de alergia alimentar durante a introdução alimentar

A introdução alimentar, etapa recomendada a partir dos seis meses de vida, é um momento decisivo para o desenvolvimento do bebê. Além de ampliar o contato com diferentes sabores e texturas, essa fase também costuma gerar dúvidas e inseguranças nos pais, principalmente diante de reações inesperadas após a ingestão de novos alimentos. Entre as principais preocupações está como diferenciar uma adaptação natural do organismo de uma possível alergia alimentar.

Segundo dados da Sociedade Brasileira de Pediatria, as alergias alimentares atingem cerca de 6 a 8% das crianças menores de três anos. A maioria das reações surge justamente nos primeiros contatos com determinados alimentos, o que reforça a importância da observação cuidadosa dos sinais apresentados pelo bebê.

De acordo com a pediatra e alergista Dra. Alexânia Goto, algumas manifestações indicam que a reação pode ir além de uma simples adaptação digestiva. “Os sinais mais comuns de alergia alimentar incluem manchas vermelhas na pele, urticária, inchaço dos lábios ou dos olhos, vômitos repetidos, diarreia intensa e, em casos mais graves, dificuldade para respirar”, explica a médica.

Alergia ou intolerância alimentar, qual a diferença?

Embora os termos sejam frequentemente confundidos, alergia e intolerância alimentar não são a mesma coisa. A distinção é essencial para que os pais saibam como agir.

“A alergia alimentar envolve o sistema imunológico e pode causar sintomas na pele, no sistema respiratório e no trato digestivo”, esclarece a especialista. Já a intolerância alimentar, segundo ela, está relacionada à dificuldade de digestão de determinados alimentos. “Na prática, costuma provocar gases, distensão abdominal e diarreia leve, sem manchas na pele, sem inchaço e sem risco de reações graves”, completa.

O que fazer diante de uma reação

Ao perceber sinais como vermelhidão, vômitos ou inchaço logo após a ingestão de um novo alimento, a orientação é clara. “O alimento deve ser suspenso imediatamente”, afirma a Dra. Alexânia. Ela destaca ainda a importância de buscar orientação médica o quanto antes. “Caso haja dificuldade para respirar, urticária difusa, inchaço ou piora rápida do quadro, é imprescindível procurar atendimento de emergência”, alerta.

Alimentos mais alergênicos e introdução segura

Leite de vaca, ovos, soja, trigo, amendoim, castanhas, peixes e frutos do mar estão entre os alimentos que mais causam reações alérgicas na infância. Ainda assim, estudos recentes mostram que evitar ou adiar esses alimentos não reduz o risco de alergia.

Segundo recomendações atuais da Sociedade Brasileira de Pediatria e da Sociedade Brasileira de Alergia e Imunologia, não há evidências de que a ordem de introdução dos alimentos sólidos influencie o desenvolvimento de alergias. “A introdução alimentar deve seguir os hábitos dietéticos da família, permitindo que a criança tenha contato com todos os grupos alimentares entre seis e doze meses de idade”, reforça a médica.

Ela destaca ainda que não há motivo para adiar a oferta de alimentos potencialmente alergênicos para depois de um ano de idade, nem para antecipá-los antes dos seis meses. “Castanhas, amendoim e frutos do mar também podem, e idealmente devem, ser apresentados nesse período, sempre com acompanhamento e atenção aos sinais”, pontua.

A alergia é para sempre?

Uma reação alérgica no início da introdução alimentar não significa, necessariamente, que a criança conviverá com essa condição por toda a vida. “Muitas crianças superam alergias alimentares ao longo do crescimento, especialmente às proteínas do leite, ao ovo e ao trigo”, explica a Dra. Alexânia Goto.

Por isso, o acompanhamento médico é fundamental para avaliar cada caso, orientar a família e garantir que a alimentação do bebê seja segura, equilibrada e adequada ao seu desenvolvimento.

Dra Alexânia Goto | CRM 135268 

Especialista em pediatria pela Sociedade Brasileira de Pediatria, especialista em em alergia e imunologia pela Sociedade Brasileira de Alergia e Imunologia.

Gostou deste story?

Aproveite para compartilhar clicando no botão acima!

Visite nosso site e veja todos os outros artigos disponíveis!

Leia Mais