Igor Cosso faz balanço de vida depois de revelar sexualidade: "Consigo ser muito mais eu"

O ator Igor Cosso, de 30 anos, nunca imaginou que o compartilhamento de um vídeo no Instagram, em que aparece dançando com o namorado, o advogado e dançarino Heron Leal, de 35, a música Som da Felicidade, da banda Falamansa, fosse viralizar nas redes sociais e provocar uma onda de amor na internet. "O vídeo ganhou uma repercussão enorme, no Tik Tok, no Twitter... Foi tão despretensioso e espontâneo!", afirma Igor, em conversa com Quem.

O vídeo foi publicado no último fim de semana, justamente quando uma pedra se soltou dos cânions em Capitólio (MG) e atingiu quatro embarcações, matando dez pessoas. "Estive com dois amigos ontem e estávamos conversando sobre o meu vídeo. Um deles falou uma coisa que achei muito legal. Já estamos vivendo tempos muito sombrios por causa da Covid, do governo e, no final de semana, ainda teve a tragédia em Minas, então estava tudo tão pesado que parece que o vídeo veio a calhar. Acho que isso contribuiu muito para ele ter viralizado", conta o ator, cujo último trabalho na Globo foi na novela Salve-se Quem Puder, em julho de 2021.

Igor -- que revelou sua orientação sexual em junho do ano passado, ao postar uma foto em que dois homens apareciam se beijando em homenagem ao mês do orgulho LGBTQIA+ - está feliz com a possibilidade de transmitir mensagens positivas por meio das redes sociais. "Uma coisa que vem acontecendo muito comigo, desde que falei sobre a minha sexualidade nas redes, é que hoje em dia consigo ser muito mais eu. Antes tinha muita resistência de ser quem sou, de postar minhas coisas. E depois que me libertei dessas amarras, que teve um processo e tudo mais, consegui ficar muito mais à vontade", avalia.

O ator se diz ainda mais feliz e realizado por saber que, por meio de seus posts, encoraja e inspira outras pessoas a serem elas mesmas. "É impressionante o resultado disso [de ele ter revelado sua orientação sexual] para as pessoas. Eu e o Heron somos parados na rua direto, por garotos e garotas que são gays e nos veem como uma representatividade, como uma possibilidade para eles. Tenho uma realidade muito privilegiada com a minha família, com os meus amigos", conta, explicando que seus parentes passaram por um processo de aceitação em relação à sua sexualidade.

"Hoje em dia é tudo lindo, graças a Deus. Sou muito feliz pela família que tenho, mas sei que a realidade de grande parte da população LGBTQIA+ não é nada disso, pelo contrário. É de rejeição, uma situação muito triste. O que tento fazer, então, é mostrar um pouquinho que há leveza e naturalidade no nosso amor, que por mais que as pessoas possam falar para esses jovens LGBTQIA+ que isso é errado, que é pecado e essas coisas que costumamos escutar -- e que também escutei bastante, mostro através do amor e da naturalidade que não é. Pelo contrário, é a coisa mais linda do mundo, amar uma pessoa, seja ela quem for, de outro sexo ou não", argumenta.

PÓS-REVELAÇÃO"Desde que falei sobre minha sexualidade, tem tido uma repercussão gigante nas minhas redes. Recebo muitas mensagens diariamente, fora as pessoas que abordam a gente [ele e o namorado] na rua. Abordaram a gente até em Paris, quando viajamos em novembro do ano passado. Estávamos na Torre Eiffel e fiz uma live. Heron e eu ficamos por lá, fazendo um piquenique, e apareceu um garoto brasileiro que mora lá. Ele viu minha live no Instagram, saiu do trabalho e foi atrás da gente. Chegou lá emocionado e começou a conversar com a gente e falar o quanto somos importantes para ele. Ele é do inteiror do Rio e contou que a família dele é evangélica. Ele foi a Paris, inclusive, para poder viver a vida dele, porque tinha uma vida horrível no Rio. E disse que só não volta para o Brasil por causa da mãe, que não o aceita. Falou que, ver a gente diariamente, alimentava o coração dele de que um dia ele poderia viver isso. Ficamos superemocionados em Paris".

REPRESENTATIVIDADE"Quando a gente [ele e o namorado] encontra alguém na rua que pede para tirar foto, que vem conversar com a gente, aí tenho a noção que algo que é tão natural para mim, como o meu relacionamento com o Heron e o meu dia a dia com ele em casa, é tão importante para outras pessoas que têm uma realidade muito distante. Sou ator, amo minha arte e tudo mais, mas fico muito feliz que esse propósito caiu nas minhas mãos sem eu imaginar que faz tão bem para as pessoas. Estamos precisando tanto de mensagens positivas e de amor, além de fazer o bem. Peguei esse propósito para mim e agora consigo usar minhas redes para ele".

PIGOSSI"Li o depoimento do Marco Pigossi [para a revista Piauí], e me identifiquei muito. Inclusive, fiz um TEDx ano passado sobre a minha experiência. Assim como o Pigossi, citei a entrevista que o Silvio de Abreu deu, acho que em 2012. Na época eu estava fazendo a novela 'Amor Eterno Amor' e aquilo me bateu muito errado e mal. No TEDx cito a entrevista, não falei o nome dele, mas agora que o Pigossi já falou... O Silvio de Abreu disse que os atores gays não tinham que se assumir porque senão a dona de casa não ia acreditar neles. Quando escutei isso, tinha 22 anos, e aquilo foi: 'meu Deus, não posso fazer isso'. Inclusive, conheci atores mais velhos e já bem famosos que eram gays. E os via não se assumindo de forma alguma, pelo contrário, tendo outro tipo de reação. Isso me fazia falar: 'bom, se nem eles estão se assumindo, se o Silvio de Abreu fala isso, imagina eu fazer alguma coisa?' Isso na época não contribuiu muito para esse processo de falar sobre mim".

AMADURECIMENTO"Com o tempo fui amadurecendo artisticamente e como pessoa e entendendo que, esse não era um caminho que eu queria ter na minha vida, que o caminho de ser quem sou, ia me levar muito mais além, como vem me levando. Quando aconteceu isso, em 2020 [quando assumiu que era gay no Instagram], no início tive muito receio, muito medo, de perder trabalho e tudo mais, mas foi a melhor coisa do mundo. Minha vida mudou completamente. Porque além do fato de ter mudado para mim, vejo que mudou para muita gente".

LIBERTAÇÃO"Recebo mensagens diariamente de pessoas que dizem que contribuo de alguma forma [para elas se libertarem]. Isso sem saber, espontaneamente, mostrando minha relação, que sou tranquilo com ela, que para a minha família foi um processo que não foi fácil no início, mas hoje em dia temos uma relação maravilhosa. Mas eu não tinha ideia de que falar sobre mim ia ajudar tanta gente. Na época [que contou ser gay no Instagram] perdi muitos seguidores. Fiz novela na Record durante muito tempo e tinha um público muito conservador que me seguia e, quando aconteceu tudo, falei: gente, aqui é a minha rede social, esse aqui sou eu, não é um personagem de uma novela. Quem quiser ficar aqui e seguir o Igor é muito bem-vindo, mas vou ser quem sou nas minhas redes. Está muito bem-vindo quem quiser ficar, mas quem não quiser, pode ir embora e um beijo'. E foi muito legal! Porque, além de ter ficado muita gente, veio muita gente. Desde que contei, ganhei muitos seguidores. E o mais importante: pessoas que têm afinidade comigo. Acabou se tornando algo superpositivo. Não era um propósito, mas acabou se tornando um pouco porque entendi que isso ia ajudar muita gente. Posso usar minhas redes para ajudar o próximo, que bom".

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