“A inteligência artificial não é o fim da medicina, é a continuação dela — desde que caminhe junto com a experiência e a boa gestão.” — Dr. Astério Jerônimo Dorneles de Dorneles Filho
Nos últimos 25 anos, a inteligência artificial (IA) deixou de ser uma promessa distante para se tornar parte do cotidiano da medicina. Nos Estados Unidos, ela já está presente em centenas de equipamentos e sistemas que analisam imagens, detectam lesões e até sugerem diagnósticos. Mas, enquanto as máquinas evoluem rapidamente, uma nova pergunta surge: quem está no comando — o médico, o gestor ou o algoritmo?
“A IA está transformando a radiologia, mas não pode substituir o olhar clínico e a experiência acumulada. Quando é usada sem supervisão ou sem gestão adequada, o risco é grande. A tecnologia precisa andar junto com a medicina e com a boa administração”, afirma o Dr. Astério Jerônimo Dorneles de Dorneles Filho, radiologista brasileiro com mais de 30 anos de experiência e gestor da Clínica de Imagens Dorneles, em Chapecó (SC).
O que o estudo mostra
Os pesquisadores, ligados a instituições americanas como a Mayo Clinic e a University of Florida, usaram o banco de dados ProQuest Newsstream para mapear 25 anos de cobertura jornalística sobre o tema.
Entre as descobertas, está o crescimento exponencial de notícias sobre IA em radiologia a partir de 2015, coincidindo com o avanço do deep learning e com declarações de especialistas que previram que os radiologistas seriam “substituídos em cinco anos”. Essa previsão, no entanto, não se confirmou.
Atualmente, há mais de 520 produtos de IA aprovados pela FDA (agência reguladora americana), sendo 190 voltados à radiologia. A maioria auxilia em tarefas como detecção de lesões, medição automática de tumores e relatórios preditivos.
Mas o estudo alerta: a cobertura da imprensa tende a supervalorizar os benefícios e subestimar as limitações. Apenas 46% das matérias mencionaram riscos como erros de diagnóstico, falhas no treinamento dos algoritmos ou dependência excessiva das máquinas.
“Tecnologia sem gestão é um voo cego”
Para o Dr. Astério, esse desequilíbrio entre entusiasmo e cautela se reflete na prática clínica. Segundo ele, a IA pode ser uma aliada poderosa — desde que incorporada dentro de um sistema de gestão bem estruturado.
“Quando uma clínica decide adotar IA, precisa definir protocolos claros: quem revisa o exame, quem valida o resultado e como as divergências são tratadas. Caso contrário, o risco é transferir a responsabilidade médica para uma ferramenta que não compreende o contexto clínico”, explica o radiologista.
Com mais de três décadas de carreira e formação pela Universidade Federal de Pelotas (RS), o Dr. Astério tem experiência em unir prática médica e gestão. Ele fundou a Clínica de Imagens Dorneles Ltda. em 2005 e, desde então, lidera uma equipe com mais de 20 profissionais, realizando cerca de 60 mil exames anuais.

“Gestão e medicina precisam andar juntas. A IA traz eficiência, mas é a gestão que garante segurança, e a experiência clínica que dá sentido às informações. São três pilares inseparáveis”, afirma.
A tríade essencial: experiência, gestão e IA
O médico destaca que a integração entre esses três pilares é o caminho para o futuro da radiologia:
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Experiência clínica: o julgamento humano continua essencial. A IA reconhece padrões, mas não interpreta contextos ou sutilezas de cada paciente.
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Gestão eficiente: define processos, prazos, responsabilidades e formas de auditoria, evitando que a tecnologia seja usada sem controle.
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Inteligência artificial: amplia a capacidade do médico, reduz erros de distração e ajuda na padronização dos laudos — mas deve atuar como “segundo leitor”, nunca como substituto.
“A máquina pode sugerir. O médico analisa. E a gestão garante que o processo funcione de forma ética e segura. Sem essa integração, não existe medicina moderna”, reforça o Dr. Astério.
O papel do radiologista no novo ecossistema
O estudo americano também mostra que a ausência de radiologistas na comunicação pública sobre IA cria uma imagem distorcida da profissão — algo que o Dr. Astério considera perigoso.
“Quando a mídia só escuta engenheiros e empresários, a visão fica incompleta. A IA não é uma substituição de pessoas, e sim uma extensão da capacidade humana. É preciso falar mais sobre isso para manter a confiança dos pacientes e dos jovens médicos que entram na especialidade”, diz.
Ele acredita que, assim como o piloto de um avião depende do painel de bordo, mas mantém o controle manual, o radiologista moderno deve usar a IA como copiloto, não como comandante.
“Quem salva vidas é a equipe, não o algoritmo”, resume.
Um novo pacto para a radiologia
Para o Dr. Astério, o desafio da próxima década é criar protocolos universais de uso ético e seguro da IA, investindo na formação de médicos que saibam tanto interpretar imagens quanto gerenciar dados e sistemas.
“A IA vai continuar evoluindo, e isso é ótimo. Mas ela precisa ser supervisionada por quem entende de pacientes e de gestão. O futuro da radiologia não é tecnológico — é humano com ajuda da tecnologia”, conclui.
Quem é o Dr. Astério Jerônimo Dorneles de Dorneles Filho
Médico radiologista e gestor clínico, com 32 anos de experiência em diagnóstico por imagem. Graduado pela Universidade Federal de Pelotas (1991) e especializado em Radiologia pela Universidade Federal de Santa Maria (1995). Atuou como radiologista do Exército Brasileiro e é fundador e responsável técnico da Clínica de Imagens Dorneles Ltda., em Chapecó (SC), desde 2005. Membro titular da Sociedade Paulista de Radiologia e participante da Jornada Paulista de Radiologia (JPR). É reconhecido pela defesa da integração entre experiência médica, gestão clínica e inovação tecnológica como base para a medicina do futuro.
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