A decisão de Larissa Manoela de adiar a maternidade após receber o diagnóstico de endometriose reacendeu o debate sobre como a doença interfere no planejamento familiar. Ao revelar que só pretende engravidar “quando estiver 100 por cento bem para gerar”, a atriz expôs uma realidade que atinge muitas mulheres jovens e que ainda é pouco compreendida fora dos consultórios.
O ginecologista e obstetra Dr. Cesar Patez, especialista em endometriose no Espírito Santo, afirma que a atitude da atriz é totalmente sensata. “A endometriose é uma doença inflamatória e progressiva. Dependendo da profundidade e de quais estruturas ela compromete, a capacidade de gestar pode ser diretamente afetada. Esperar até que o corpo esteja saudável e equilibrado é um movimento de cuidado e responsabilidade”, explica o médico.
Segundo o especialista, a doença pode causar dor intensa, alterações anatômicas importantes e dificuldade para engravidar, especialmente quando há infiltrações profundas nos parâmetros uterinos. “É essencial que a paciente receba um tratamento adequado antes de pensar em gestação. Tratar primeiro aumenta as chances de uma gravidez segura, planejada e bem-sucedida”, completa.
Paralelamente ao avanço dos diagnósticos de endometriose, cresce também o interesse pelo congelamento de óvulos como forma de preservar a fertilidade. A especialista em Reprodução Humana Taciana Fontes explica que a idade é o principal fator para o sucesso do procedimento. “O ideal é congelar óvulos até os 35 anos. Nessa fase, as células têm melhor qualidade e quantidade. Depois disso, as taxas de sucesso começam a cair ano após ano”, afirma.
Taciana destaca ainda que muitas mulheres só descobrem a possibilidade do congelamento após verem celebridades compartilharem suas experiências. “Quando figuras conhecidas falam sobre o assunto, elas normalizam a conversa e ampliam o acesso à informação. Isso permite que mais mulheres compreendam que o congelamento não é uma alternativa extrema, mas uma ferramenta de autonomia”, afirma.
Além do impacto sobre a fertilidade, entender a origem e o comportamento da endometriose ajuda a orientar os melhores tratamentos. O ginecologista Dr. Igor Chiminacio, referência no estudo da teoria embrionária da doença, explica que a endometriose não nasce da menstruação retrógrada, como se acreditava no passado. “Hoje sabemos que a doença tem origem embrionária. Isso significa que os focos endometriais fora do útero estão presentes desde a formação dos ductos de Müller, ainda na vida fetal. Eles podem permanecer silenciosos por anos e se ativar ao longo da vida reprodutiva”, explica.
Para o especialista, compreender essa origem é crucial para definir o tratamento. “A endometriose profunda segue trajetos embrionários previsíveis. Quando entendemos esses caminhos, conseguimos localizar lesões com precisão e realizar uma remoção completa. É a cirurgia de excisão em bloco que realmente devolve fertilidade, reduz dor e previne recidivas”, detalha.
Dr. Igor afirma que, embora exames de imagem sejam importantes, eles não substituem a avaliação clínica minuciosa. “Nem sempre as lesões profundas aparecem na ressonância. O diagnóstico definitivo depende de experiência clínica, exame físico detalhado e, em alguns casos, abordagem cirúrgica. O futuro promete exames com biomarcadores capazes de detectar a doença mais cedo, o que pode mudar o panorama da fertilidade feminina.”
Mesmo diante dos desafios, os especialistas reforçam que há caminhos para preservar a possibilidade de gestação. Dr. Cesar Patez resume essa perspectiva com clareza: “Com acompanhamento adequado, tratamento preciso e respeito ao tempo do corpo, mulheres com endometriose têm, sim, grandes chances de realizar o sonho da maternidade.”
A decisão de Larissa Manoela, portanto, representa um movimento crescente entre mulheres jovens que buscam conciliar saúde, planejamento e autonomia. E, para os médicos, essa combinação continua sendo o melhor caminho para escolhas reprodutivas mais seguras e informadas.
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