Autoria: Anne Lopes de Lucca
O funcionamento de um hospital vai muito além do atendimento direto ao paciente. Para que pronto-socorros, UTIs e centros cirúrgicos operem com segurança e continuidade, existe uma estrutura pouco visível, mas essencial: a gestão de recursos médicos. Organização de equipes, definição de escalas, padronização de protocolos, formação de lideranças e controle de qualidade são fatores que determinam a eficiência do sistema de saúde. É nesse campo que atua o médico anestesiologista Tiago Macruz.
Com atuação internacional, Dr. Tiago é Assistant Professor na University of Miami e fundador da Performa Saúde, empresa multiespecialidades voltada à gestão de equipes médicas para hospitais públicos, privados e operadoras de saúde. Seu trabalho está diretamente ligado à criação de modelos organizacionais capazes de sustentar a assistência médica em larga escala, com foco em segurança, previsibilidade e qualidade.
Nos últimos cinco anos, a Performa Saúde estruturou uma operação que reúne mais de 3.000 médicos associados. Além da alocação de profissionais e da gestão de escalas, a empresa desenvolveu áreas internas voltadas à qualificação do serviço, como os departamentos Científico, Educacional e de Qualidade. Esses núcleos atuam na padronização de processos, na capacitação contínua das equipes e na implementação de boas práticas assistenciais.
Um dos principais desafios enfrentados por instituições de saúde é a formação de lideranças médicas. Em muitos hospitais, médicos assumem cargos de coordenação sem preparo específico para gestão, o que torna o funcionamento dependente de esforços individuais e improvisação. Segundo o Dr. Tiago Macruz, esse modelo se torna insustentável à medida que o serviço cresce. “Quando a escala aumenta, o improviso deixa de funcionar. A gestão precisa ser estruturada”, afirma.
A criação de departamentos educacionais e científicos permite transformar o treinamento em rotina, integrar novos profissionais e promover atualização constante. Já o departamento de qualidade atua no monitoramento de processos, na redução de falhas e na consolidação de uma cultura de segurança assistencial. O objetivo é garantir que o serviço funcione de forma padronizada, independentemente de pessoas específicas.
Essa visão de gestão foi colocada à prova durante a pandemia de Covid-19. No período, Dr. Tiago atuou como coordenador e chefe médico de uma UTI Covid de grande porte, com cerca de 300 leitos de terapia intensiva. Em um cenário de alta pressão, a organização de equipes, a estabilidade das escalas, a padronização de protocolos e a clareza na tomada de decisão foram fundamentais para a manutenção do atendimento.
Logo nos primeiros dias da coordenação da UTI Covid, em um ambiente totalmente novo, o Dr. Tiago percebeu a necessidade de criar um modelo de gestão diferente. Para ele, gerir é identificar rapidamente os problemas (“ofensores”) e agir de forma eficaz.
Quando havia menos de 20 pacientes internados e as famílias não podiam visitar, começaram a surgir lacunas nos boletins médicos. Foi nesse momento que o Dr. Tiago compreendeu que gestão é cuidar e supervisionar todos os processos, garantindo que cada etapa funcione de forma consistente.
Graças a essa visão, a expansão para 300 leitos não se tornou um problema. Ele já havia implementado um sistema estruturado de boletins médicos, além de designar médicos especificamente para essa função, assegurando precisão, organização e continuidade no cuidado aos pacientes.
E assim foi em todos os departamentos, gerenciando uma UTI de grande magnitude desde o zero. A capacidade do Dr. Tiago de transformar desafios em sistemas eficientes e resultados concretos demonstra sua liderança visionária e impacto duradouro na organização.

Paralelamente à atuação no Brasil, Dr. Tiago desenvolve atividades acadêmicas e hospitalares nos Estados Unidos, onde participa da formação de médicos, da coordenação de pesquisas clínicas e do desenvolvimento de protocolos assistenciais em instituições de alta complexidade. Essa experiência reforça a integração entre gestão, educação e qualidade do cuidado.
Na prática, os resultados de uma gestão médica estruturada aparecem em diferentes níveis. No atendimento, a padronização melhora a continuidade e reduz interrupções. Na organização, a formação de lideranças intermediárias garante autonomia operacional. E, na cultura institucional, a consolidação de processos fortalece a segurança e a maturidade do serviço.
A trajetória do Dr. Tiago Macruz evidencia como a organização de pessoas e processos é parte fundamental da assistência médica. Ao transformar complexidade em estrutura, sua atuação contribui para que hospitais operem de forma mais eficiente, segura e sustentável.
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