Por: Anne Lopes de Lucca
O setor de arquitetura e construção não molda apenas cidades e casas: ele molda, silenciosamente, o modo como o mundo consome energia. Hoje, edifícios e construção respondem por uma fatia enorme da demanda global e das emissões associadas, tanto na operação (aquecimento, resfriamento, iluminação, ventilação, equipamentos) quanto nos impactos do próprio canteiro e dos materiais. Relatórios internacionais recentes apontam o setor como responsável por cerca de um terço do consumo global de energia/demanda e das emissões relacionadas, dependendo da métrica e do recorte (operação vs. ciclo completo).
Esse dado muda tudo: a arquitetura deixa de ser apenas forma e passa a ser infraestrutura energética. Em um mundo pressionado por custos crescentes, instabilidade climática e redes elétricas sobrecarregadas, o ambiente construído é parte do problema e, principalmente, parte inevitável da solução.
É exatamente nesse ponto que a trajetória do arquiteto brasileiro Mauricio Marcantonio, radicado em Vancouver (Canadá), ganha relevância. Com mais de 20 anos de experiência em design e gestão de projetos e forte atuação em residências unifamiliares de alto padrão, Mauricio aprendeu a traduzir sustentabilidade em algo que não fica no discurso: ela aparece na decisão de implantação, na escolha de sistemas, no detalhamento construtivo e sobretudo, no desempenho comprovável.
Quando o “projeto” vira energia (e a energia vegue em ritmo acelerado, e isso empurra a demanda por moradia, infraestrutura e desenvolvimento comercial. Sem planejamento, o resultado costuma ser previsível: mais consumo elétrico, maior necessidade de resfriamento (ilhas de calor), dependência crescente de sistemas mecânicos e pressão adicional sobre redes e combustíveis.
Nesse cenário, a pergunta que separa estética de responsabilidade é simples: o edifício reduz ou aumenta a carga do mundo? Em termos práticos, cada escolha de projeto define quanto um imóvel “puxa” da rede elétrica por décadas.
Mauricio trabalha justamente nessa fronteira. No currículo, ele descreve domínio de códigos, aprovações e processos de licenciamento, além da condução de projetos do conceito à obra – um tipo de experiência que, na prática, determina se a sustentabilidade será um adereço… ou um resultado.
Canadá: sustentabilidade com método, métrica cio atua na Evoke International Design (Vancouver) como Lead Architectural Designer, liderando times multidisciplinares, coordenando consultores, controlando custos e garantindo conformidade com normas e exigências locais. Essa vivência no Canadá importa porque ali a susten “conceito” e mais padrão de desempenho.
Na British Columbia, por exemplo, estruturas como o BC Energy Step Code e o Zero Carbon Step Code criam um caminho progressivo e mensurável para eficiência energética e redução de emissões. Em outras palavras: o edifício precisa provar que performa melhor. Isso muda o desenho do início ao fimcom a crescente adoção de soluções como eletrificação total (para reduzir emissões operacionais).
A cultura técnica também abre espaço para inovação com linguagem arquitetônica: projetos em mass timber (madeira maciça engenheirada) e sistemas eficientes podem unir desempenho e beleza sem “cara de laboratório”. E esse equilíbrio aparece no repertório de Mauricio: ele liderou o design de projetos premiados como o PGR House, reconhecido por prêmios como o IIDA (2023) e o IDIBC Shine Awards (2024), segundo seu currículo. (A publicação do projeto também reforça o perfil residencial e a complexidade do trabalho).
Segundo Mauricio, no Brasil a sustentabilidade costuma nascer do próprio clima. Em muitas regiões, projetar bem sempre significou trabalhar com sol, vento e chuva como parte do desenho, quase como “materiais” do projeto. Isso aparece em escolhas simples e eficientes: orientar a casa para captar ventilação natural, criar sombras com brisas e beirais, usar varandas e pátios para refrescar os ambientes e permitir que o edifício “respire”. O resultado é uma arquitetura mais aberta e confortável, que depende menos de ar-condicionado e outros sistemas mecânicos para funcionar bem no dia a dia.
Na formação de Mauricio, esse repertório aparece na base e na diversidade de experiências: graduação em Arquitetura e Urbanismo e uma trajetória que inclui diferentes escritórios e setores antes de consolidar a atuação no Canadá. O ponto é que, quando ele leva essa sensibilidade para um contexto onde a eficiência é comprovada por norma, nasce uma síntese rara: emoção + cálculo, conceito + métrica.
E essa síntese é vital na crise energética. Porque a transição não é só “ter carga, evitar desperdício, e desenhar edifícios que se mantêm confortáveis com menos energia, mesmo quando o clima oscila e os custos sobem.
Mauricio também traz credenciais diretamente ligadas à cultura de desempenho: ele possui certificação LEED e registro profissional no CAU/SP, o que sinaliza familiaridade com padrões e critérios de sustentabilidade e qualidade técnica. No dia a dia, isso se traduz em prática: coordenar consultores, documentar decisões, fechar detalhes que impedem perdas (térmicas, de ar, de água), e guiar o cliente para escolhas que geram conforto com menos energia.
Hoje, arquitetura e energia já são inseparáveis: cada decisão de projeto influencia o que será consumido e emitido por décadas. A relevância do trabalho de Mauricio Marcantonio está justamente em encarar o edifício como ele realmente é: uma estrutura de longa vida, capaz de aumentar a carga sobre o planeta ou, ao contrário, reduzir desperdícios e aliviar a pressão sobre clima, redes elétricas e recursos.
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