A Mocidade Alegre realizou neste sábado de Carnaval seu desfile oficial no Sambódromo do Anhembi e mostrou força na busca pela décima terceira estrela. A escola do bairro do Limão apresentou o enredo “Malunga Léa – Rapsódia de uma Deusa Negra”, homenagem à atriz Léa Garcia, e teve desempenho positivo na maioria dos quesitos. Apesar de pequenas oscilações na evolução, o conjunto geral foi consistente e competitivo. Na parte final, já com o cronômetro apertado, alguns componentes aceleraram o passo, gerando leve correria, mas sem comprometer a leitura do desfile. O impacto visual das alegorias, a qualidade das fantasias e a musicalidade bem ajustada reforçaram o favoritismo da Morada do Samba para a apuração.

A comissão de frente, coreografada por Jhean Allex, representou a “Trupe do Teatro Experimental do Negro”. Os componentes utilizaram figurinos coloridos com cabeças de serpente, referência direta a Oxumaré, orixá ligado ao arco-íris. Logo na abertura, a narrativa associou Léa Garcia à entidade. No topo do elemento cenográfico, uma representação da atriz era coroada e elevada em efeito de ascensão teatral, como se alcançasse o palco. O tripé dourado reforçou a ideia de divinização enquanto os bailarinos em solo apresentavam a escola e saudavam o público, cumprindo as exigências do manual do julgador. A encenação sintetizou de forma clara a trajetória artística da homenageada.

O casal de mestre-sala e porta-bandeira Diego Motta e Natália Lago, no terceiro ano consecutivo juntos, apresentou a fantasia “Arroboboi, Oxumaré!”. Eles executaram corretamente os movimentos obrigatórios nas primeiras cabines de julgamento e mantiveram sintonia com o samba. A leveza da indumentária favoreceu giros e deslocamentos, garantindo boa fluidez.
Na harmonia, o canto da comunidade foi um dos pontos altos. A escola repetiu o rendimento dos ensaios técnicos e demonstrou segurança coletiva. Os apagões comandados por mestre Sombra funcionaram como recurso cênico e musical, destacando trechos marcantes do samba. Não houve atravessamentos perceptíveis, evidenciando integração entre bateria, carro de som e componentes.

O enredo apresentou a trajetória de Léa Garcia sob uma leitura afro-religiosa e poética, conectando a artista a Oxumaré e ao simbolismo das cores. A narrativa ficou clara principalmente nas alegorias e na comissão de frente, que traduziram de maneira didática o legado da atriz.

Na evolução, a escola desfilou de forma organizada durante boa parte do percurso. Algumas dificuldades iniciais ocorreram por causa dos costeiros das primeiras alas, reduzindo a fluidez no começo. Até o recuo da terceira alegoria o andamento era preciso, mas, com o tempo reduzido, houve orientação para acelerar o ritmo. Mesmo assim, não se observaram buracos nem falhas graves na divisão das alas. Alas coreografadas e a ala de passistas deram dinamismo ao cortejo, embora as oscilações possam ser analisadas com atenção pelos jurados.

A ala musical, conduzida por Igor Sorriso, manteve o público empolgado durante todo o desfile. O intérprete demonstrou domínio do samba e grande entrosamento com mestre Sombra, parceria consolidada ao longo de anos na escola.
O conjunto de fantasias apresentou riqueza cromática e boa criatividade, com destaque para os adereços de mão. Apenas as primeiras alas tiveram pequenas dificuldades estruturais. O resultado geral foi visualmente coeso.

Nas alegorias, o abre-alas representou o “Assentamento de uma revolução cultural negra”, predominantemente vermelho e dourado, com esculturas femininas em destaque. A segunda alegoria trouxe referência ao filme “Orfeu Negro da Conceição”. A terceira apresentou “A bênção Yabás”, com escultura central em movimento e água jorrando. O último carro, “Um Kikito para Léa”, relembrou o prêmio recebido pela atriz no Festival de Gramado em 2004, com fotografias que facilitaram a compreensão da homenagem.

Entre outros destaques, a bateria Ritmo Puro, fantasiada de “O Imperador Jones”, apresentou bossas criativas e apagão nos versos finais do samba. Tripés distribuídos ao longo do cortejo enriqueceram a apresentação, especialmente o último, com destaque sambando sobre o elemento móvel. A rainha de bateria Aline Oliveira teve atuação vibrante e empolgou o público ao sacudir o bandeirão da bateria.
Com um desfile impactante e bem estruturado, a Mocidade Alegre confirma presença forte na disputa pelas primeiras posições do Carnaval de São Paulo.
Foto: Tiago Ghidotti / EGOBrazil
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