Na segunda apresentação da noite de domingo no Anhembi, a Águia de Ouro promoveu uma travessia simbólica entre São Paulo e Amsterdã, trazendo referências à arte, à história e aos debates sobre liberdade associados à capital holandesa.
Com o enredo “Mokum Amsterdã – O voo da Águia à cidade libertária”, a escola estruturou o desfile em setores que alternavam contemplação e celebração. Embora todos os elementos previstos tenham aparecido na avenida, a ligação entre eles nem sempre foi orgânica, o que fez a narrativa soar confusa em determinados momentos.

O principal problema apareceu na evolução. A escola acelerou em alguns trechos e comprometeu a fluidez do cortejo. O desfile terminou em 57min59seg, dentro do tempo regulamentar, porém com passagem mais apressada do que o necessário em partes da pista.
A comissão de frente, coreografada por Robson Bernardino, apresentou o encontro simbólico entre o “rei de cá” e o “rei de lá” sobre um tripé representando a Ponte Magra, cartão-postal que atravessa o rio Amstel. A coreografia aconteceu integralmente sobre a estrutura, que tinha altura próxima à cabine de jurados e facilitou a leitura nos módulos. A encenação reuniu diversos personagens — de Van Gogh e Anne Frank a DJs e representantes da diversidade — criando momentos de difícil compreensão, apesar de alinhados ao enredo. Posteriormente, essas figuras reapareceram distribuídas nas alas, reforçando a proposta temática.

O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Alex Malbec e Monalisa Bueno, apresentou coreografia de giros intensos e movimentos amplos. O figurino dialogava com a ideia de ave e voo, transmitindo leveza. A apresentação durou cerca de dois minutos na cabine e demonstrou boa sintonia na condução do pavilhão.

No carro de som, Douglinhas Aguiar e Serginho do Porto defenderam um samba de fácil assimilação. O refrão “vou ficar bem louco nesse carnaval” teve forte resposta das arquibancadas. Chamadas constantes dos intérpretes e uma bossa em ritmo de reggae animaram componentes e público, com passinhos sincronizados nas arquibancadas.

O enredo partia da imagem da águia atravessando um portal até as águas do rio Amstel, ponto inicial para apresentar a cidade. Depois, o desfile seguiu por blocos temáticos: história e cultura, liberdades e, por fim, celebrações. Na prática, porém, os quadros pareceram apenas sequenciais, sem progressão clara, o que fragmentou a narrativa.
A evolução permaneceu o maior ponto de atenção. A escola iniciou acelerada, estabilizou no miolo e voltou a correr após o recuo da bateria, abrindo espaço na frente dos módulos de jurados. Após a saída da comissão pelo portão, a agremiação novamente apressou o ritmo. Apesar disso, as alas mantiveram organização e bom preenchimento visual da avenida.

O samba-enredo foi um dos aspectos mais eficientes do desfile. Funcional e direto, envolveu arquibancadas e componentes, favorecendo a participação coletiva.
Nas fantasias, as alas cumpriram a função narrativa. A ala “Águas do Rio Amstel” trouxe figurino fluido com coreografia simulando o movimento do rio. As baianas representaram os girassóis de Van Gogh, conectando-se à alegoria inspirada em “Noite Estrelada”. A ala dedicada a Anne Frank gerou desconforto pela sensibilidade do tema. De modo geral, o acabamento foi simples.

As alegorias também apresentaram simplicidade em comparação a outras escolas da noite. O abre-alas teve iluminação pontilhada interessante, mas estrutura básica. O terceiro carro reuniu Anne Frank, ciclistas e arquitetura típica, dificultando leitura coesa. O quarto carro, sobre liberdades, simulou vitrines do Distrito Vermelho, reunindo diversidade, cannabis e vida noturna sob o mesmo conceito.

O último trouxe DJ, cerveja e bandeiras em clima festivo, novamente com símbolos justapostos. No módulo 2, o carro final passou com iluminação apagada e o tripé “Seres Encantados das Águas do Rio Amstel” não apareceu.
A bateria Batucada da Pompeia, comandada por Mestre Moleza, teve bossa em reggae entre os momentos mais animados. A rainha Renata Spallicci cantou o samba, coreografou bossas e interagiu com o público.

No conjunto, a Águia de Ouro apresentou desfile coerente com a proposta, mas prejudicado por falhas de articulação narrativa e oscilações de evolução.
Foto: Tiago Ghidotti / EGOBrazil
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