Neste domingo de Carnaval, a Acadêmicos do Tucuruvi apresentou no Sambódromo do Anhembi o enredo “Anti-herói Brasil”, desenvolvido pelo carnavalesco Nicolas Gonçalves. O grande destaque foi o canto da comunidade, que se entregou intensamente para defender o possível retorno do Zaca ao Grupo Especial. Também chamou atenção a criatividade da comissão de frente, liderada por Renan Banov, com uma coreografia impactante logo na abertura. A escola encerrou sua apresentação em 58 minutos.
A comissão de frente, intitulada “Nosso corpo é página viva”, trouxe uma encenação marcada por forte carga simbólica. Uma personagem central representava o sofrimento das camadas marginalizadas da sociedade brasileira, enquanto parte dos componentes utilizava fantasias confeccionadas com sacos de lixo.
Em determinado momento, os bailarinos se agachavam em posições coreografadas e ficavam completamente cobertos, criando um efeito visual coerente com a narrativa proposta e traduzindo o tema por meio de expressões corporais e movimentos precisos.
O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Luan Caliel e Beatriz Teixeira, apresentou o segmento “Caminhos anti-heroicos” com atuação segura. Os movimentos obrigatórios foram executados com qualidade, destacando-se os jogos de pernas do mestre-sala e os giros bem sincronizados da porta-bandeira, realizados com intensidade em ambos os sentidos.
Tucuruvi aposta em crítica social e forte canto comunitário no Anhembi – Foto: EGOBrazil
A harmonia foi um dos pontos mais positivos do desfile. Após um ensaio técnico abaixo do esperado, a comunidade mostrou evolução significativa. Os versos foram entoados com clareza do início ao fim, e a escola desfilou leve e confiante, sustentando a energia da apresentação.
O enredo trouxe uma abordagem crítica ao exaltar personagens cotidianos que se tornam heróis pela própria sobrevivência. A narrativa valorizou trabalhadores do chamado “corre” diário, como motoboys, e retratou figuras marginalizadas, incluindo moradores de rua. Para materializar a proposta, Nicolas Gonçalves optou por materiais simples e pouco requintados, uma escolha ousada dentro do padrão estético do Carnaval paulistano, mas que transmitiu a mensagem de forma clara.
Na evolução, as alas preencheram corretamente os espaços da pista. Houve apenas abertura pontual na ala das baianas, sem impacto relevante no conjunto. Também ocorreu leve dificuldade de compactação entre algumas alegorias e alas anteriores, porém sem divisão perceptível na escola.
O samba, interpretado por Hudson Luiz, foi bem defendido na avenida. O intérprete conduziu a obra com personalidade e interagiu com comunidade e arquibancadas, mantendo o foco na sustentação musical. As vozes femininas se destacaram, e o trecho “Jeitinho brasileiro de sobreviver” ecoou com força, sintetizando a essência do enredo.
As fantasias reforçaram a estética proposta. Papelão, sacolas e elementos que remetem à vida nas ruas dialogaram diretamente com o tema, evocando referências visuais ao histórico desfile “Ratos e Urubus, Larguem Minha Fantasia”, da Beija-Flor de Nilópolis (1989). Uma ala com figurinos de sacos de lixo portando tridentes de Exu foi um dos quadros mais marcantes.
O abre-alas, “Enugbarijó e a sabedoria das encruzilhadas”, trouxe escultura de Exu cuspindo papéis picados, simbolizando a boca que tudo consome. O carro apresentou problema estrutural no lado direito, com a quebra de um elemento que precisou ser retirado, mas a equipe agiu rapidamente e evitou prejuízos maiores.
A segunda alegoria, “Macunaíma S/A – A indústria do anti-herói”, aprofundou a crítica social. No encerramento, o carro “Seja marginal, seja herói!” apresentou esculturas de Exu, pipas e fios formando a bandeira do Brasil, além da presença de motoqueiros em sintonia com o samba.
A bateria do Zaca, comandada pelo mestre Serginho, representou a “Malandragem brasileira” e executou bossas com precisão, garantindo andamento adequado e sustentando a energia da escola durante todo o percurso.
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