A Independente Tricolor encerrou os desfiles deste domingo de Carnaval pelo Grupo de Acesso 1 no Sambódromo do Anhembi com uma apresentação tecnicamente consistente e visualmente impactante. A escola levou à avenida o enredo “N’goma – A primeira festa no amanhã do mundo”, desenvolvido pelos carnavalescos Léo Cabral e Yuri Aguiar. O conjunto apresentado caminhava para uma avaliação quase irrepreensível, porém um detalhe pode comprometer o resultado: o cronômetro marcou 1h01 de desfile, ultrapassando o limite regulamentar e acarretando perda prevista de três décimos, punição suficiente para interferir diretamente na disputa pelo acesso.

Mesmo com a penalização iminente, a agremiação mostrou força em praticamente todos os quesitos. O conjunto musical, a estética e, principalmente, a apresentação do casal de mestre-sala e porta-bandeira colocaram a escola entre as melhores da noite. Sem o estouro do tempo, a Independente Tricolor apareceria como forte candidata ao título e à subida ao Grupo Especial.

A comissão de frente, dirigida por Edgar Júnior, apresentou o quadro “O Sonho de Zambi”. A coreografia trouxe uma narrativa simbólica: um personagem central, reverenciado pelos demais, representava Zambi, criador do mundo segundo a concepção do enredo. O cenário remetia a troncos e raízes, simbolizando o nascimento da vida, enquanto outras figuras encenavam entidades ligadas à criação sobre o tripé alegórico.
No quesito casal, Jeff Anthony e Thais Paraguassu desfilaram com a fantasia “Zambiapungo e Na Calunga”. Vestidos predominantemente de branco, executaram os movimentos obrigatórios com precisão e elegância. A sintonia construída ao longo dos anos ficou evidente, integrando a dança ao samba com naturalidade e segurança.

A harmonia foi um dos pontos altos. A comunidade cantou durante toda a apresentação, demonstrando evolução desde os ensaios técnicos. O refrão principal teve forte resposta do público, e o efeito de apagão na frase “Ô, ô, ô, esquente o couro, senhor” funcionou com impacto. A condução do intérprete Chitão Martins manteve a energia constante e contribuiu para o envolvimento coletivo.
Inspirado em conto de Luiz Antônio Simas, presente no livro Pedrinhas Miudinhas: Ensaios sobre Ruas, Aldeias e Terreiros, o enredo apresentou a origem simbólica do Brasil a partir do N’goma, tambor sagrado criado por Zazi para completar a obra de Zambi. A narrativa destacou o instrumento como elemento de organização social, unindo africanos, povos da Terra de Tupã e também o homem branco durante o período escravocrata. A leitura na avenida foi bem conduzida, ainda que complexa para quem não conhecia previamente a sinopse.

Na evolução, a escola manteve-se compacta e sem buracos, com alas integradas e ritmo favorecido pelo samba. Lideranças da agremiação, ao lado do presidente Batata e do diretor Danilo Zamboni, atuaram constantemente incentivando os componentes e auxiliando o departamento de harmonia.
O samba-enredo figurou entre os mais fortes do grupo. Desde as eliminatórias, a obra demonstrava grande apelo popular e confirmou a expectativa na pista. Chitão Martins conduziu o carro de som com firmeza, valorizando suas características vocais e sustentando a participação da comunidade.

As fantasias combinaram impacto visual e funcionalidade, permitindo liberdade de movimento. A linha estética foi uniforme e reforçou a identidade da escola da Vila Guilherme.
Entre as alegorias, o carro “Dikenga: o Cosmograma Bakongo e o Sentido da Vida” destacou-se pelo luxo e pelos elementos circulares em movimento. Já “Senhor do Fogo e a Criação do N’goma” apresentou escultura central simbolizando Zazi, enquanto o encerramento, “O Grande Terreiro Brasil: A Primeira Festa na Manhã do Mundo”, trouxe caráter celebrativo, com percussão e simbologia da formação cultural brasileira.

Outro ponto positivo foi a bateria Ritmo Forte, comandada pelo estreante mestre Higor, que executou bossas seguras e sustentou o andamento do samba com regularidade.

Com um desfile tecnicamente sólido e plástica marcante, a Independente Tricolor demonstrou potencial para figurar entre as melhores do Carnaval. Contudo, o tempo excedido pode pesar decisivamente na apuração, transformando um possível acesso em frustração para a comunidade.
Foto: Liga SP
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