A policial militar Munique Busson fez um alerta contundente sobre a gravidade da violência doméstica no Brasil e a necessidade de mudanças urgentes na legislação penal. Em entrevista ao podcast Pod People, ela destacou que o maior desafio no enfrentamento ao problema é conscientizar mulheres de que o agressor muitas vezes marido, pai dos filhos e declarado “amor da vida” pode, de fato, representar risco real de morte.
Segundo a policial, a atual estrutura legal ainda falha em gerar temor suficiente para impedir a reincidência. “A pessoa só respeita o mal que pode ser causado a ela”, afirmou, defendendo o endurecimento das leis como forma de proteção efetiva às vítimas. Para ela, a percepção de impunidade contribui diretamente para a continuidade das agressões.
Durante a conversa, Munique também abordou a superlotação do sistema prisional. Ela citou dados que apontam uma capacidade de 45 mil vagas para uma população carcerária de 48 mil presos, destacando que “a conta não fecha”. Nesse contexto, mencionou a chamada “saidinha” como medida adotada para desafogar presídios, mas que, segundo sua avaliação, reforça a sensação de que o agressor não permanecerá preso por tempo suficiente.
A policial ainda chamou atenção para um problema cultural: a culpabilização da vítima. Ela relatou já ter visto comentários de mulheres afirmando que vítimas de feminicídio “mereceram morrer” por traição, evidenciando como parte da sociedade ainda reproduz discursos que relativizam ou naturalizam a violência contra a mulher.
Mãe e integrante da Polícia Militar do Rio de Janeiro, Munique revelou que sua escolha pela carreira não foi um sonho de infância, mas uma decisão estratégica. Aos 25 anos, já mãe de uma menina de quatro anos, buscava estabilidade financeira. No entanto, afirma que apenas o fator econômico não sustenta alguém na profissão.
“Ser policial no Rio de Janeiro exige vocação”, declarou. Segundo ela, o desejo de servir sempre esteve presente em sua trajetória. Antes mesmo das redes sociais, já realizava trabalhos sociais em seu bairro, ajudando famílias em situação de vulnerabilidade, organizando doações e atuando voluntariamente em momentos de crise.

Um dos pontos centrais da entrevista foi a desconstrução da imagem da polícia como uma instituição exclusivamente voltada ao confronto armado. Munique ressaltou que a corporação é uma estrutura ampla e multifuncional.
Ela relatou já ter participado de dois partos dentro de comunidades onde o acesso de ambulâncias era dificultado. Também mencionou atendimentos cotidianos realizados pela Rádio Patrulha (RP), setor que opera com viaturas menores e dois policiais, considerado por ela uma verdadeira “escola” dentro da corporação.
Entre as ocorrências, estão desde conflitos familiares e pedidos de orientação a adolescentes que não querem estudar, até apoio a idosos solitários que acionam a polícia em busca de ajuda. “A polícia está ali para servir”, afirmou.
Munique também defendeu a importância dos podcasts e das mídias digitais como ferramentas para humanizar a imagem da corporação. Segundo ela, durante anos a profissão foi “demonizada” na mídia tradicional, o que gerou um peso adicional aos agentes de segurança pública.
Ela reconhece que ainda há resistência interna quanto à participação de policiais em espaços de comunicação, por conta do estereótipo de que o policial deve manter uma postura rígida e distante. No entanto, acredita que a exposição responsável contribui para aproximar a sociedade da realidade da segurança pública.
Ao unir experiência prática, atuação social e posicionamento firme contra a violência doméstica, Munique Busson se consolida como uma das vozes femininas de destaque no debate sobre segurança pública e proteção às mulheres no Brasil.
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