A atriz e humorista Nany People chegou aos 60 anos celebrando uma carreira marcada por coragem, persistência e paixão pela arte. Com uma trajetória de décadas no teatro e na comédia, a artista transformou sua própria história em inspiração para o público e em matéria-prima para seus espetáculos.
Em entrevista recente, Nany People refletiu sobre os desafios enfrentados ao longo da vida e destacou como o palco se tornou um espaço de resistência, pertencimento e liberdade. Entre memórias e momentos emocionantes, a atriz relembrou obstáculos que enfrentou ao longo da carreira, especialmente por ser uma mulher trans no Brasil.
“Nany People de hoje é uma mulher trans que chegou aos 60 e chegou bem! Uma mulher que fez do seu propósito de fazer arte sua profissão de fé. Perdi muita gente nesse caminho, levei rasteiras, mas mesmo assim me mantive de pé e agradeço muito por isso”, declarou.
A artista também destacou que sua permanência nos palcos é resultado de uma longa jornada. Segundo ela, a arte sempre foi seu refúgio e também um instrumento de resistência diante das dificuldades da vida.
Com cerca de cinco décadas dedicadas ao teatro, Nany People relembra que subiu ao palco pela primeira vez ainda criança. Desde então, nunca mais se afastou do universo artístico.

“Eu estou há 50 anos em cima do palco. Subi pela primeira vez com 10 anos de idade e nunca mais desci. Ser mulher trans no Brasil é saber que até ir à padaria comprar pão pode ser um ato político, um ato de sobrevivência”, afirmou.
Dados do dossiê anual da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) apontam que o Brasil ainda lidera o ranking mundial de violência contra pessoas trans e travestis. Ao comentar esse cenário, Nany People destacou que viver de arte foi também uma forma de resistência.
Ela lembra que mudar para São Paulo foi uma decisão fundamental para seguir carreira e manter viva a paixão pelo teatro.
“Se eu não tivesse ido para São Paulo, acho que fatalmente não teria sobrevivido para viver de arte. Não é só domar um leão por dia, às vezes precisamos enfrentar as ‘antas da savana’. Literalmente”, disse com o humor que marca sua trajetória.
Apesar das dificuldades, a artista afirma que nunca abandonou o propósito de fazer teatro. Para Nany People, manter-se fiel ao sonho de infância foi essencial para chegar aos 60 anos realizada.
“Passei por pandemia, crises da profissão, abri mão de vida pessoal pela carreira. Fiz minha transição em um país que infelizmente lidera os índices de violência contra pessoas trans, mas nunca saí da trilha do teatro”, declarou.
Outro elemento fundamental em sua caminhada é o humor. Para a atriz, rir de si mesma e da vida foi uma ferramenta importante para superar momentos difíceis.
“Humor acima de tudo. A vida sem humor não tem tempero. Quando você ri de si mesma, aprende a olhar para suas fraquezas com mais tolerância”, explicou.
Nany People também fez questão de lembrar da importância da família, especialmente de sua mãe, que sempre apoiou sua trajetória artística.
“Tenho a gratidão de ter tido uma mãe muito à frente do tempo, que me incentivou e me encorajou”, contou.
Ao longo da carreira, a atriz percebe que seu trabalho ultrapassou o entretenimento e passou a ter um impacto profundo na vida de muitas pessoas. Segundo ela, é comum receber relatos emocionantes do público após apresentações e palestras.

“Já ouvi pessoas dizendo que meus espetáculos ajudaram em momentos muito difíceis da vida delas. Isso é muito emocionante e mostra que não estou no caminho errado”, afirmou.
Entre os projetos atuais está o espetáculo musical “Nany é Pop!”, que terá apresentação no próximo dia 13. O show promete reunir humor, emoção e música, resgatando uma faceta artística que marcou o início da carreira da atriz.
“Muita gente não sabe, mas comecei cantando. A música me levou ao palco, o palco ao teatro e o teatro à vida”, explicou.
O espetáculo será apresentado em um teatro histórico que há décadas recebe manifestações culturais diversas, algo que emociona profundamente a artista.
Para 2026, Nany People também prepara novos projetos no teatro, cinema e turnês internacionais. Entre os planos estão uma nova peça prevista para estrear em julho, outro projeto teatral em maio, além de um filme que será gravado em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul.
A agenda inclui ainda uma turnê pelos Estados Unidos, com seis apresentações, e outra série de shows programada para o segundo semestre na Europa.
Mesmo com tantos compromissos, a artista afirma que aprendeu uma lição importante após a pandemia: viver um dia de cada vez.
“Hoje eu não organizo minha vida com mais de quatro meses de antecedência. A gente organiza e Deus ri. Às vezes um telefonema muda tudo”, concluiu.
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