O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deu início a um novo ciclo de flexibilização monetária ao anunciar um corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, que passa a ser de 14,75% ao ano. A decisão, tomada em meio a um cenário internacional instável, marcado por tensões no Oriente Médio e alta do petróleo, surpreendeu parte do mercado pela postura proativa diante da pressão inflacionária global.
Mesmo assim, analistas avaliam que o movimento já era esperado e marca uma virada importante na estratégia econômica brasileira, após meses de juros elevados e crédito mais restrito.
Entre os segmentos mais atentos à decisão está o mercado imobiliário, tradicionalmente sensível às oscilações da taxa básica de juros. De acordo com o especialista em crédito imobiliário Murilo Arjona, com mais de 15 anos de atuação no setor, o corte da Selic tem potencial para reaquecer as vendas e elevar a procura por financiamentos habitacionais.
“A queda da Selic é importante, mas o principal ponto não é apenas a redução dos juros”, explica. “O melhor movimento é o aumento do apetite dos bancos para emprestar e dos clientes para comprar. Isso é o que realmente muda o mercado imobiliário.”
Com o início do ciclo de queda dos juros, aplicações conservadoras de renda fixa tendem a perder atratividade, abrindo espaço para que investidores direcionem recursos a ativos reais, como imóveis. Nesse cenário, o setor ganha força não apenas pelo estímulo ao crédito, mas também como alternativa de proteção patrimonial.
“Quando a Selic cai, o imóvel volta a se destacar como investimento. A renda fixa rende menos, e o comprador percebe que é um bom momento para adquirir”, destaca Murilo Arjona.
Outro fator relevante é o comportamento das instituições financeiras. Com menor custo de captação, os bancos tendem a afrouxar critérios de aprovação e ampliar a oferta de crédito imobiliário, o que deve aumentar o número de compradores ativos.
“Os bancos passam a reprovar menos por rating e a aprovar mais clientes. Esse conjunto de fatores é o que realmente movimenta o setor”, reforça o especialista.

Com mais demanda por imóveis e custos de construção ainda elevados — segundo o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) —, o mercado já antecipa um cenário de valorização nos próximos meses.
Murilo Arjona alerta que o momento pode ser estratégico para quem pretende comprar: “Quem antecipa a compra sai na frente. Quem espera a Selic cair mais provavelmente encontrará imóveis mais caros.”
Com o primeiro corte confirmado, o setor imobiliário brasileiro inicia um novo capítulo, em que o otimismo e o acesso ao crédito podem acelerar o ritmo de crescimento nos próximos trimestres, mesmo diante das incertezas externas.