A busca por cirurgias plásticas no exterior avança, impulsionada por preço e redes sociais, enquanto especialistas reforçam a importância da segurança e do acompanhamento médico
O número de pessoas que viajam para realizar cirurgias plásticas fora de seus países de origem tem crescido nos últimos anos, em um movimento associado ao avanço do turismo médico global. Entre os destinos que mais se destacam, países como a Turquia têm ampliado a atração de pacientes internacionais por meio de estratégias estruturadas para esse público.
O Brasil ocupa a segunda posição no ranking mundial de cirurgias plásticas estéticas, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, que lideram o volume global de procedimentos. Na sequência aparecem Japão e México, países que também concentram parte relevante das intervenções realizadas no mundo. Os dados são da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS), referência internacional no monitoramento do setor, e consideram tanto cirurgias quanto procedimentos não cirúrgicos.
A cirurgiã plástica Dra. Danielle Gondim, formada pelo Instituto Ivo Pitanguy, e membro da ISAPS, explica que esse movimento está associado a fatores como custo e facilidade de acesso. “Existe uma busca por alternativas que combinem preço e praticidade. Alguns destinos internacionais passaram a estruturar ofertas que incluem diferentes etapas do atendimento, o que acaba influenciando a decisão de parte dos pacientes”, afirma.
Turismo médico avança e amplia opções para pacientes
O turismo médico é um fenômeno global documentado por organismos internacionais e envolve o deslocamento de pacientes em busca de tratamentos de saúde fora de seu país de residência. De acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), esse fluxo internacional tem crescido nas últimas décadas, impulsionado por diferenças de custo, acesso a serviços e tempo de espera.
Nesse contexto, países como a Turquia têm ampliado sua presença no cenário internacional ao investir em infraestrutura e na atração de pacientes estrangeiros. Dados oficiais do governo turco indicam aumento no número de atendimentos voltados ao público internacional, com estratégias que incluem integração entre serviços médicos e suporte ao paciente durante a estadia.
“É um modelo que facilita a jornada do paciente, principalmente para quem busca resolver tudo em um único deslocamento. Mas é importante que essa decisão seja acompanhada de uma avaliação criteriosa sobre segurança e continuidade do cuidado”, diz a especialista.
Riscos envolvem principalmente o pós-operatório
Apesar das facilidades, especialistas apontam que o turismo médico exige atenção, especialmente no que diz respeito ao acompanhamento após a cirurgia. O Centers for Disease Control and Prevention (CDC), órgão de saúde pública dos Estados Unidos, alerta que procedimentos realizados fora do país podem dificultar o manejo de complicações quando o paciente retorna ao local de origem.
Segundo a cirurgiã, esse é um dos principais pontos de atenção. “A cirurgia não termina no procedimento em si. O acompanhamento pós-operatório é essencial para monitorar a evolução, identificar possíveis complicações e orientar a recuperação adequada”, afirma.
Além disso, protocolos de segurança, exigências sanitárias e critérios de formação médica podem variar entre países. A Organização Mundial da Saúde (OMS) destaca que a segurança do paciente depende de padrões consistentes de qualidade e de uma estrutura assistencial adequada ao longo de todo o tratamento.
“A continuidade do cuidado faz diferença no resultado e na segurança. Quando o acompanhamento é fragmentado, o risco de intercorrências aumenta”, acrescenta.

Brasil mantém tradição e reconhecimento internacional
Mesmo com o crescimento do turismo médico, o Brasil segue como uma das principais referências globais em cirurgia plástica. A posição no ranking da ISAPS reflete não apenas o volume de procedimentos, mas também a consolidação de uma tradição médica reconhecida internacionalmente.
A formação de especialistas, aliada à atuação de entidades como a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), contribui para a padronização de práticas e para a disseminação de protocolos de segurança.
“O Brasil construiu uma trajetória sólida na cirurgia plástica, com forte base técnica e científica. Isso se reflete na qualidade da assistência e na abordagem individualizada do paciente”, afirma a médica.
Decisão deve considerar mais do que custo
O crescimento da busca por cirurgias no exterior revela uma mudança no comportamento dos pacientes, mas também reforça a necessidade de decisões informadas. Especialistas destacam que fatores como qualificação do profissional, estrutura hospitalar e acompanhamento pós-operatório devem ter peso central na escolha.
“A avaliação precisa ser completa. Não se trata apenas de onde onde operar, mas de como todo o processo será conduzido, do pré ao pós-operatório”, conclui.
As informações contidas neste texto são de responsabilidade dos colunistas e podem não necessariamente expressam a opinião deste portal.
É expressamente proibido cópia, reprodução parcial, reprografia, fotocópia ou qualquer forma de extração de informações do site EGOBrazil sem prévia autorização por escrito, mesmo citando a fonte. Cabível de processo jurídico por cópia e uso indevido, esse conteúdo pode conter IA.
Fique por dentro!
Para ficar por dentro de tudo sobre o universo dos famosos e do entretenimento siga o EGOBrazil no Instagram.



