Com o avanço das metas ESG e a alta nos custos de energia, tecnologias de automação predial deixam de ser item de conforto para se tornarem pilares de rentabilidade e retenção de inquilinos
O início de 2026 foi marcado por ondas de calor em diversas regiões do país, o que ampliou a demanda por conforto térmico e pressionou a infraestrutura dos edifícios. Nesse contexto, a climatização deixou de ser um item de conforto para se tornar um fator que impacta diretamente o valor de imóveis residenciais e comerciais. Incorporadoras e investidores já consideram sistemas inteligentes como parte da estrutura do ativo, especialmente em projetos de médio e alto padrão. Imóveis que incorporam essas tecnologias podem alcançar valorização de até 30 por cento, segundo avaliação de especialistas do setor, além de apresentarem maior liquidez nas negociações.
Patrick Galletti, engenheiro mecatrônico, especialista em climatização e CEO do Grupo RETEC, afirma que o impacto financeiro deixou de ser indireto e passou a ser determinante na percepção de valor dos ativos. “O comprador está mais atento ao custo total do imóvel ao longo do tempo. Um sistema eficiente reduz despesas mensais e torna o ativo mais competitivo, o que influencia diretamente no preço e na velocidade de venda”, diz.
Eficiência energética entra no cálculo do valor dos imóveis
A mudança acompanha uma transformação estrutural no mercado imobiliário, em que o valuation dos ativos passa a incorporar critérios técnicos ligados à eficiência e à operação do edifício. Relatórios recentes de consultorias como JLL e CBRE indicam que imóveis com melhor desempenho operacional tendem a apresentar menor vacância, maior estabilidade de receita e maior atratividade para locação, fatores que impactam diretamente o valor patrimonial.
Na prática, a climatização inteligente utiliza sensores de ocupação, automação e controle por zonas para ajustar o funcionamento dos equipamentos conforme a demanda real dos ambientes. Isso permite ganhos operacionais relevantes ao reduzir desperdícios e melhorar o desempenho do imóvel ao longo do tempo. “A tecnologia transforma a climatização em uma ferramenta de gestão. O sistema responde ao uso real do espaço, o que aumenta a eficiência e reduz falhas operacionais”, explica o executivo.
Investidores e retrofit aceleram modernização dos edifícios
Essa lógica tem ganhado força entre investidores institucionais e fundos imobiliários, que passaram a priorizar ativos com maior eficiência operacional e menor risco de custo. Em relatórios recentes, a International Energy Agency aponta que edifícios com sistemas mais eficientes tendem a apresentar maior previsibilidade de despesas e melhor desempenho ao longo do ciclo de vida, o que influencia decisões de alocação de capital.
Outro vetor de valorização está nos projetos de retrofit. A modernização de prédios antigos com sistemas de climatização inteligente tem se mostrado uma estratégia para reposicionar ativos no mercado. Ao incorporar automação e controle térmico mais eficiente, esses imóveis passam a competir com empreendimentos mais novos. “O retrofit permite recuperar valor de ativos que estavam defasados. Em muitos casos, a atualização da climatização é um dos primeiros passos para tornar o imóvel novamente competitivo”, afirma Galletti
A sustentabilidade também se consolidou como critério relevante na avaliação de ativos. Certificações ambientais, como LEED e AQUA, consideram o desempenho dos sistemas de climatização como um dos pilares para classificação dos edifícios. Imóveis certificados tendem a atrair empresas preocupadas com metas ambientais e relatórios ESG, o que amplia a demanda e contribui para a valorização.
Além da valorização, há impacto direto na liquidez. Imóveis com melhor desempenho técnico e conforto térmico apresentam maior facilidade de ocupação e menor tempo de vacância. Dados de mercado mostram que empresas têm priorizado ambientes que garantam bem-estar e produtividade, o que reforça a importância de sistemas eficientes. Estudos da Harvard T.H. Chan School of Public Health indicam que ambientes com ventilação inadequada e temperaturas fora do ideal prejudicam a função cognitiva e o desempenho de atividades.

Edifícios inteligentes e o mercado imobiliário
A tendência também se conecta ao avanço dos edifícios inteligentes. A integração entre climatização, iluminação, segurança e gestão predial tem redefinido o padrão dos empreendimentos. Sistemas conectados permitem monitoramento em tempo real, ajustes automáticos e maior controle sobre o desempenho do imóvel. “A automação predial está elevando o padrão do mercado. O imóvel passa a ser um sistema inteligente, e a climatização é uma das bases dessa transformação”, diz o executivo.
Com a intensificação das ondas de calor e o aumento da permanência em ambientes fechados, a tendência é que a climatização inteligente ganhe ainda mais relevância no mercado imobiliário brasileiro. Para Galletti, o movimento já está consolidado. “Imóveis tecnicamente mais eficientes são vendidos mais rápido, atraem melhores inquilinos e sustentam valor ao longo do tempo. Isso mostra que a climatização deixou de ser acessório e passou a ser um componente estratégico do ativo”, conclui.
As informações contidas neste texto são de responsabilidade dos colunistas e podem não necessariamente expressam a opinião deste portal.
É expressamente proibido cópia, reprodução parcial, reprografia, fotocópia ou qualquer forma de extração de informações do site EGOBrazil sem prévia autorização por escrito, mesmo citando a fonte. Cabível de processo jurídico por cópia e uso indevido, esse conteúdo pode conter IA.
Fique por dentro!
Para ficar por dentro de tudo sobre o universo dos famosos e do entretenimento siga o EGOBrazil no Instagram.



