Empreendimentos incorporam práticas ambientais como estratégia de negócio e passam a disputar um viajante mais exigente e consciente
O turismo internacional superou 1,4 bilhão de chegadas em 2024, retomando os níveis pré-pandemia, segundo a Organização Mundial do Turismo, enquanto o segmento de bem-estar movimentou cerca de US$ 830 bilhões em 2023, de acordo com o Global Wellness Economy Monitor.
Ao mesmo tempo, levantamento da Booking.com indica que mais de 70% dos viajantes globais pretendem adotar práticas mais sustentáveis nas próximas viagens. A convergência desses dados evidencia uma mudança concreta no comportamento do consumidor e pressiona a hotelaria de alto padrão a rever suas operações.
Para Carmita Ribeiro, curadora de viagens de luxo e idealizadora do projeto Mala Vermelha pelo Mundo, a transformação já impacta diretamente a decisão de compra. “O luxo deixou de ser apenas conforto e passou a incorporar consciência. O viajante quer saber como aquele hotel opera e qual impacto ele gera”, afirma.
Carmita observa que hotéis de alto padrão têm incorporado práticas ambientais de forma mais estruturada, indo além de ações pontuais. Com vivência em mais de 65 países e atuação consolidada no turismo de luxo , ela aponta que o movimento envolve desde arquitetura sustentável até curadoria de experiências locais. “Não se trata de abrir mão da experiência premium, mas de redefinir o que significa qualidade. Hoje, conforto também está associado a bem-estar, silêncio e respeito ao ambiente”, diz.
A mudança de comportamento do viajante tem impacto direto nos resultados das empresas. Empreendimentos que integram sustentabilidade à estratégia tendem a fortalecer reputação, aumentar a permanência média do hóspede e elevar o ticket de consumo.
Além disso, a eficiência operacional gerada por práticas como gestão de energia e redução de desperdício contribui para melhoria de margens. “Existe um ganho financeiro, mas principalmente um ganho de posicionamento. O cliente percebe valor quando há coerência entre discurso e entrega”, explica.
Esse avanço, porém, exige cautela. A adoção superficial de práticas ambientais pode comprometer a imagem da marca. “O maior risco hoje é parecer sustentável sem ser. O público desse segmento é informado e identifica rapidamente quando a proposta não é consistente”, afirma. Segundo ela, a credibilidade passa por transparência, certificações reconhecidas e experiência real entregue ao cliente.
Para estruturar essa transição, muitos hotéis têm recorrido a consultorias especializadas, auditorias ambientais e selos internacionais. A integração com fornecedores locais e a revisão de processos internos também aparecem como caminhos recorrentes. “Sustentabilidade não é uma ação isolada, é uma construção que envolve operação, equipe e experiência do hóspede”, avalia.

A especialista aponta cinco práticas que aumentam eficiência e valor no turismo de luxo sustentável
A implementação de práticas sustentáveis na hotelaria de alto padrão exige planejamento e consistência. Algumas diretrizes têm se consolidado como base para essa transformação.
- Redução de desperdícios
Controlar consumo de água, energia e alimentos melhora a eficiência operacional e reduz custos, ao mesmo tempo em que reforça o compromisso ambiental.
- Eliminação de plásticos descartáveis
A substituição por materiais reutilizáveis ou biodegradáveis é uma das medidas mais visíveis e rapidamente percebidas pelo hóspede.
- Integração com comunidades locais
Parcerias com produtores e experiências regionais agregam autenticidade à estadia e fortalecem a economia do entorno.
- Certificações ambientais reconhecidas
Selos internacionais aumentam a credibilidade e funcionam como parâmetro para o viajante que busca transparência.
- Curadoria de experiências conscientes
Atividades ligadas à natureza, cultura e bem-estar ampliam o valor percebido e criam diferenciação competitiva.
A consolidação desse movimento também está ligada à forma como o consumo vem sendo redefinido. O Traveller Value Index 2024, da Expedia Group, aponta que 76% dos viajantes priorizam experiências em vez de bens materiais, indicando um deslocamento claro na lógica de valor. Nesse cenário, hotéis que conseguem equilibrar sofisticação, responsabilidade ambiental e personalização tendem a se destacar.
Para Carmita Ribeiro, o futuro do turismo de luxo será guiado por escolhas mais conscientes e bem estruturadas. “O novo luxo está naquilo que faz sentido viver e não gera desconforto depois. A experiência precisa ser boa durante e também depois da viagem”, conclui.
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