O congelamento de óvulos tem se consolidado como uma das principais alternativas para mulheres que desejam planejar a maternidade com mais autonomia. Impulsionado por mudanças sociais, avanços da medicina e maior acesso à informação, o procedimento vem ganhando espaço no Brasil — inclusive entre famosas que passaram a abordar o tema publicamente.
Nomes como Anitta, Sabrina Sato, Giovanna Ewbank, Claudia Raia e Juliana Paes já falaram sobre fertilidade e planejamento reprodutivo, ajudando a ampliar a discussão sobre o congelamento de óvulos e a maternidade em diferentes fases da vida. Os relatos refletem uma nova realidade, em que muitas mulheres priorizam carreira, estabilidade e projetos pessoais antes de decidir engravidar.
Para entender como funciona essa técnica e quem deve considerá-la, conversamos com o especialista em reprodução assistida Dr. Alessandro Schuffner, que esclarece as principais dúvidas sobre o tema.
Quem deve considerar o congelamento de óvulos?
De acordo com o médico, o procedimento é indicado, principalmente, para dois perfis de pacientes.
O primeiro grupo é formado por mulheres que desejam adiar a maternidade por motivos pessoais ou profissionais — o que é conhecido como preservação da fertilidade social. Já o segundo grupo envolve pacientes que enfrentam doenças, como o câncer, e precisarão passar por tratamentos que podem comprometer a fertilidade, como quimioterapia, radioterapia ou cirurgias que afetam os ovários.
“Nesses casoss o congelamento é uma forma de preservar a possibilidade de gravidez no futuro”, explica o especialista.
Como funciona o processo na prática?
O procedimento começa com a estimulação ovariana, feita por meio de medicamentos hormonais que induzem a produção de múltiplos óvulos em um único ciclo.
Segundo Dr. Alessandro Schuffner, em casos de preservação social, o tratamento geralmente é iniciado no período menstrual. Já em pacientes oncológicas, pode ser feito a qualquer momento, para não atrasar o início do tratamento contra o câncer.
Após o estímulo, os óvulos são coletados por meio de um procedimento minimamente invasivo e, em seguida, congelados e armazenados em laboratório para uso futuro.
Idade influencia diretamente na qualidade dos óvulos
Um dos fatores mais importantes para o sucesso do congelamento é a idade da paciente no momento da coleta.
“O ideal é congelar até os 35 ou 37 anos, pois a qualidade dos óvulos começa a cair a partir dessa fase”, afirma o médico. Ainda assim, ele ressalta que realizar o procedimento mais tarde é melhor do que não fazê-lo.
“Congelar aos 39 anos, por exemplo, ainda é mais vantajoso do que deixar para depois ou não congelar”, completa.
O procedimento garante gravidez?
Apesar dos avanços tecnológicos, o congelamento de óvulos não garante uma gestação no futuro. Isso porque diversos fatores influenciam o sucesso da gravidez, incluindo a qualidade do espermatozoide, a formação do embrião e as condições do útero.
Atualmente, novas tecnologias, incluindo o uso de inteligência artificial, já permitem estimar as chances de sucesso a partir da análise dos óvulos congelados, ajudando pacientes e médicos na tomada de decisão.
Além disso, em alguns casos — especialmente em pacientes com câncer — é possível realizar mais de um ciclo de estimulação em um curto período, aumentando o número de óvulos armazenados e, consequentemente, as chances de gravidez futura.
Procura cresce com mudanças no papel da mulher
O aumento da busca pelo congelamento de óvulos está diretamente ligado às transformações sociais das últimas décadas.
Segundo Dr. Alessandro Schuffner, as mulheres têm investido mais em educação, carreira e estabilidade antes de decidir pela maternidade, o que contribui para o adiamento da gravidez.
Além disso, a evolução das técnicas médicas e a maior divulgação de informações sobre fertilidade também têm impulsionado a procura pelo procedimento.
Planejamento e informação são essenciais
O congelamento de óvulos surge, portanto, como uma ferramenta importante de planejamento reprodutivo, oferecendo mais liberdade de escolha às mulheres. No entanto, especialistas reforçam que a decisão deve ser tomada com base em orientação médica e entendimento claro das limitações e possibilidades do método.
Mais do que uma tendência, o procedimento reflete uma mudança de comportamento e uma nova forma de encarar a maternidade — agora mais alinhada aos projetos de vida individuais.

Fonte
Dr. Alessandro Schuffner é ginecologista e especialista em reprodução assistida é mestre em Medicina Interna e formado internacionalmente no renomado Jones Institute (EUA). Diretor da Conceber, destaca-se em laparoscopia e em estudos sobre a qualidade funcional dos espermatozoides, sendo referência nacional em medicina reprodutiva. Com mais de duas décadas de atuação, une ciência, experiência clínica e pesquisa avançada.
Instagram: @dralessandroschuffner
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