Felipe Noronha, CEO da Doce Magia, afirma que produtos ligados à memória afetiva ganham força na data e exigem planejamento operacional para atender à alta demanda
O Dia das Mães de 2026 deve marcar um novo patamar de vendas, as estimativas para o varejo restrito giram em torno de R$ 15 bilhões, consolidando o crescimento sobre os R$ 14,37 bilhões registrados em 2025. Quando analisamos o ecossistema completo — que engloba desde a venda direta de presentes até a prestação de serviços — o impacto econômico é ainda mais expressivo, podendo atingir R$ 37 bilhões, segundo dados da CNDL/SPC.
Para empreendedores e profissionais do ramo de confeitaria, esse movimento dos números representa uma oportunidade estratégica de ampliar as vendas em um momento de consumo altamente aquecido. No entanto, o sucesso comercial na data exige mais do que apenas volume de produção.
O período evidencia uma mudança consistente no comportamento do consumidor: a busca por produtos que carreguem significado. Para Felipe Noronha, CEO da Doce Magia, rede de confeitaria artesanal, o apelo emocional tem papel central nas decisões de compra. “O Dia das Mães é um dos momentos mais fortes para o nosso setor porque a escolha deixa de ser apenas racional. O cliente procura algo que represente afeto, que traduza a relação com a mãe”, afirma.
Consumo emocional ganha força no varejo
Esse movimento se reflete diretamente na operação das empresas. Confeitarias em todo o país intensificam a produção nas semanas que antecedem a data, reforçando equipes, ampliando estoques de insumos e ajustando a logística para dar conta do aumento nas encomendas. A antecipação do planejamento se torna essencial para evitar rupturas e manter o padrão de qualidade em meio ao crescimento da demanda.
“O volume cresce de forma relevante e exige organização. Não se trata apenas de produzir mais, mas de sustentar consistência mesmo com o aumento da escala”, diz Noronha. Segundo ele, a previsibilidade do calendário permite estruturar a operação com antecedência, reduzindo riscos e aumentando a eficiência.
Tradição e memória afetiva direcionam escolhas
Marcas que conseguem unir o volume de produção a uma identidade afetiva ocupam um espaço estratégico no consumo atual. Na Doce Magia, essa relação é personificada pelo bolo de nozes com doce de leite, que mantém o status de favorito mesmo com vendas que superam uma tonelada por mês. O produto atua como um elo de tradição na rede, ganhando protagonismo natural nas mesas de família durante o período do Dia das Mães.

Preparado com doce de leite cozido na panela de pressão, em um processo que remete ao modo caseiro, o bolo reforça a conexão com receitas tradicionais e experiências afetivas. “Esse tipo de produto carrega um valor simbólico muito forte. Ele remete à infância, às receitas de família, aos momentos compartilhados. Por isso, acaba sendo uma escolha recorrente em datas como o Dia das Mães”, afirma o CEO da marca.
A combinação entre eficiência operacional e apelo emocional tem sustentado o crescimento da confeitaria em datas comemorativas. Enquanto as empresas investem em estrutura e planejamento, o consumidor busca produtos que traduzam vínculos e memórias. Esse encontro de interesses consolida o Dia das Mães não apenas como um motor de vendas, mas como o momento em que a escala industrial se curva ao simbolismo do afeto.
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