Adriano, Você assina a caracterização do filme “Toda Nudez Será Castigada inspirado em Nelson Rodrigues e dirigido por Daniel Filho. Conta pra gente como foi esse processo e o que significou pra você esse trabalho.
Resposta
“Assinar a caracterização de Toda Nudez Será Castigada foi, sem dúvida, um dos grandes desafios e também uma das maiores honras da minha carreira. Trabalhar com um universo tão denso e psicológico como o de Nelson Rodrigues exige uma escuta muito apurada do que está nas entrelinhas — o não dito, o que os personagens carregam nos olhos, na pele, nos silêncios.
E ter mais uma vez a confiança do Daniel Filho, que é um mestre da direção e um parceiro criativo generoso, foi muito especial. Ele tem um olhar muito preciso sobre os personagens e sabe exatamente onde a caracterização pode ajudar a contar a história sem pesar, sem exagero, mas com muita verdade.
Cada personagem nesse filme tem camadas profundas, e a caracterização foi pensada como uma extensão da dramaturgia — o tempo, o desgaste emocional, o desejo, a culpa… tudo isso está refletido em detalhes que talvez o público nem perceba racionalmente, mas que ajudam a construir a densidade da narrativa.
Foi um processo muito colaborativo, intenso, e sou extremamente grato por fazer parte desse projeto.”
- Como surgiu o convite para trabalhar em “Toda Nudez Será Castigada?
Resposta:
“Esse projeto chegou até mim através de um pedido do próprio Daniel Filho, com quem já tive a honra de trabalhar em outras produções. Quando ele me falou que se tratava de um texto inspirado em Nelson Rodrigues, eu sabia que vinha coisa forte por aí. E o Daniel tem essa sensibilidade de reunir equipes que conseguem traduzir o universo psicológico dos personagens de forma visual, sem ser óbvia. Me senti muito honrado com o convite e entendi desde o início que seria um trabalho desafiador.”
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- Qual foi o seu ponto de partida para construir a caracterização dos personagens?
Resposta:
“O ponto de partida sempre é o roteiro — ele é o meu primeiro mapa. Depois vem o estudo aprofundado dos personagens, em parceria com a direção, a preparação de elenco e o figurino. Neste caso, também mergulhei na obra do Nelson Rodrigues para entender as tensões morais, os conflitos internos que definem os personagens. A partir disso, comecei a pensar em texturas de pele cabelo.
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- Quais foram os maiores desafios de caracterização nesse filme?
Resposta:
“A complexidade emocional dos personagens foi o maior desafio. Nelson Rodrigues não é superficial. As máscaras sociais, o desejo reprimido, a culpa — tudo isso precisava estar presente no visual, mas de forma quase imperceptível. E claro, manter uma unidade estética que respeitasse o olhar do Daniel e dialogasse com fotografia, arte e figurino.”
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- Como foi trabalhar novamente com Daniel Filho? Depois de Boca de Ouro, Silêncio da Chuva, Medida Provisória e Sai de Baixo. Atualmente Toda Nudez Será Castigada.
Resposta:
Trabalhar com o Daniel é sempre uma aula. Ele é um diretor que confia na equipe e ao mesmo tempo tem um olhar muito apurado. Ele entende profundamente de narrativa visual, então nossas trocas foram muito ricas. Já existe uma confiança mútua entre nós, o que facilita a criação. Sinto que cada projeto com ele é uma oportunidade de ir mais fundo, de experimentar com mais precisão. É uma parceria que me orgulho muito.
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- Você tem uma marca registrada como caracterizador. Como ela aparece nesse filme?
Resposta:
“Acredito que minha assinatura está na busca pela verdade visual. Eu sempre tento fazer com que o espectador acredite naquele rosto, naquela história, sem que a caracterização grite ou se destaque mais do que deveria. No filme, isso aparece na forma como cada personagem carrega sua história na pele, no olhar, no cabelo. Acredito que a boa caracterização não é sobre criar impacto visual, mas sobre ampliar a humanidade do personagem.”
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- Para quem está começando na área, qual dica você deixaria?
Resposta:
“Estudem profundamente os personagens. Antes de pensar na técnica, pense em quem aquela pessoa é. O que ela viveu, o que ela sente, o que esconde. A maquiagem para audiovisual não é sobre beleza, é sobre verdade. E sempre que puder, trabalhe em parceria com o diretor, o figurino, a fotografia — porque só assim o resultado final vai ser coeso. E, claro, respeite o ator e o processo dele. A caracterização é uma ponte, não uma moldura.”
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