A Barroca Zona Sul encerrou o primeiro dia de desfiles do Grupo Especial no Sambódromo do Anhembi como a sétima escola a entrar na Avenida. A tradicional “Faculdade do Samba” apresentou o enredo “Oro Mi Maió OXUM”, desenvolvido pelo carnavalesco Pedro Alexandre Magoo. A passagem durou 65 minutos e ficou marcada pelo excelente desempenho do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira e pelo bom rendimento do samba-enredo ao longo do cortejo.

O desfile aconteceu já durante a manhã, circunstância prevista na concepção visual da escola e citada inclusive na obra musical. Para o público, a apresentação funcionou e manteve as arquibancadas atentas até o final, muito impulsionada pelo carro de som e por um dos sambas mais fortes do ano. Entretanto, falhas perceptíveis nos quesitos Evolução e Alegorias podem pesar na avaliação dos jurados.

A comissão de frente, coreografada por Chris Brasil, apresentou o quadro “Oxum e o primeiro iniciado”. A encenação utilizou um elemento alegórico representando a Terra Sagrada dos Orixás e retratou o momento em que Oxalá determina que Oxum realize a iniciação do primeiro filho de santo. A narrativa também trouxe figuras como Orunmilá e Exu conduzindo o escolhido até um rio sagrado, onde o homem comum se transforma em devoto iluminado, símbolo do axé. A leitura foi clara dentro da proposta, mas a escultura vazada de Oxalá não teve o impacto visual esperado, apesar de interações pontuais dos componentes.

O primeiro casal, Cley Ferreira e Lenita Magrini, representou “A filha de Oxalá e Yemanjá”. Mesmo enfrentando vento mais intenso na pista, a porta-bandeira superou as dificuldades e manteve regularidade ao lado do mestre-sala. Cumprindo todas as obrigatoriedades nos módulos de julgamento, a dupla embalou o início do desfile e figurou entre os principais destaques da escola.

A Harmonia foi um dos pontos positivos. A sequência de bons sambas recentes facilitou o engajamento dos componentes, que desfilaram cantando com leveza e entusiasmo. Sem andamento acelerado, a comunidade conseguiu sustentar o canto de maneira consistente ao longo da apresentação.
O enredo exaltou Oxum, orixá das águas doces, do amor, da beleza, da fertilidade e da riqueza. Cada carro alegórico contou uma história distinta da divindade, incluindo seus amores e a relação com o filho Logun Edé. A proposta foi culturalmente rica, embora algumas alas tenham apresentado leitura difícil, caso da ala “Yalodê, A Grande Mãe”, o que dependerá da interpretação dos julgadores.

A Evolução apresentou irregularidades. Houve problemas de compactação com grandes espaços entre alas e carros alegóricos, especialmente entre a Ala 7 e o segundo carro. O recuo da bateria também não ocorreu de forma plenamente organizada, chegando a exigir intervenção de direção para conter o deslocamento de alegoria durante a manobra. O fechamento dos portões no limite do tempo regulamentar reforça a percepção de fluidez comprometida.
O samba-enredo, assinado por Thiago Meiners, Sukata, Morganti, Claudinho, Fernando Negão, Shumacker, Valencio, L. Santos, Daniel Paixão, Léo PZ, Beto Savanna, Wilson Mineiro e Tubino, manteve o alto padrão recente da escola. Interpretado por Dodô Ananias e pelo estreante Rafael Tinguinha, a obra trouxe poesia serena e coerente com a homenagem à Senhora do Ouro. Os versos de fácil assimilação favoreceram a participação da comunidade e o desempenho do carro de som foi um dos pontos altos da apresentação.

As fantasias tiveram papel importante na narrativa, apresentando elementos de devoção e personagens ligados à história da orixá. Contudo, a clareza de leitura variou e o acabamento não foi uniforme. Em algumas alas, como a que trazia costeiros em forma de jarros, houve diferença visível de posicionamento e pode gerar perda de pontos.
O conjunto alegórico contou quatro carros. O abre-alas apresentou “As Águas Sagradas de Oxum”, seguido por alegorias que narraram amores da divindade com Xangô e Oxóssi e, por fim, a relação com Logun Edé. Apesar da boa construção narrativa, o acabamento foi irregular: o primeiro e o último carros tiveram impacto superior, enquanto os intermediários mostraram menor imponência. Problemas mecânicos também apareceram, especialmente no sistema de água da última alegoria, que funcionou apenas parcialmente. A iluminação, por outro lado, ajudou a destacar os elementos mesmo com o sol já presente.

A Barroca Zona Sul levou para a Avenida um desfile de forte conteúdo cultural e boa resposta popular, mas as falhas técnicas podem influenciar diretamente o resultado na apuração.
Foto: Tiago Ghidotti / EGOBrazil
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