Compreender o impacto emocional ajuda a construir um vínculo mais seguro e saudável para pais e bebês
O nascimento de um bebê após uma perda gestacional ou neonatal costuma ser vivido com alegria, mas também com medo, insegurança e luto ainda presente. Conhecidos como bebês arco-íris, esses filhos chegam depois da dor e trazem novos desafios emocionais para a família. Segundo Manoel Augusto Bissaco, especialista em psicologia pré e perinatal, reconhecer esse contexto é fundamental para o bem-estar de todos. Veja os principais pontos.
- A perda anterior não desaparece com a nova gestação
Mesmo com a chegada de um novo bebê, o luto pelo filho que partiu continua existindo. É comum que alegria e tristeza coexistam, e isso não significa falta de amor ou incapacidade de se vincular.
- Medo e ansiedade são reações frequentes durante a gravidez
Pais que vivenciaram uma perda tendem a acompanhar a nova gestação com mais apreensão. O receio constante de que algo dê errado é uma forma de autoproteção emocional.
- O vínculo pode se formar de maneira mais cautelosa
Alguns pais evitam criar expectativas ou se conectar plenamente durante a gestação como uma tentativa inconsciente de evitar sofrer novamente. Esse comportamento é compreensível e merece acolhimento.
- Após o nascimento, o cuidado pode se tornar excessivo
É comum que o bebê arco-íris receba atenção intensa, vigilância constante e dificuldade dos pais em relaxar ou delegar cuidados. O excesso vem do medo, não da falta de confiança.
- Culpa por sentir alegria também pode surgir
Alguns pais se sentem culpados por estarem felizes, como se isso significasse esquecer o bebê que foi perdido. Para o especialista, amar um não apaga o amor pelo outro.
- O estado emocional dos pais influencia o bebê
Bebês são sensíveis ao ambiente emocional. Ansiedade intensa e luto não elaborado podem interferir na construção do vínculo, reforçando a importância do cuidado psicológico.
- Elaborar o luto ajuda o bebê a ter um lugar próprio
Quando os pais conseguem integrar a perda à própria história, o bebê arco-íris deixa de ocupar um lugar de compensação e passa a ser visto como único, com sua própria identidade.
Para Manoel Augusto Bissaco, falar sobre bebês arco-íris é falar sobre acolhimento emocional. “O nascimento após uma perda não apaga a dor, mas pode coexistir com ela. Quando os sentimentos são reconhecidos e cuidados, o vínculo se constrói de forma mais segura e saudável”, finaliza.
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