Em julho de 2023, Brasília recebeu a visita do conselheiro federal suíço Guy Parmelin durante o Brazil–Switzerland Forum on Investment and Innovation in Infrastructure and Sustainability, um encontro que reuniu autoridades e empresários para discutir parcerias voltadas à modernização da infraestrutura brasileira. O evento foi visto como um marco diplomático e econômico: o governo brasileiro reafirmou o compromisso de atrair capital estrangeiro para o setor de engenharia, com foco em projetos sustentáveis e de alto impacto social.
Mas transformar promessas em obras concretas continua sendo um desafio histórico. Desde a concepção técnica até a entrega final, o país enfrenta um caminho repleto de entraves burocráticos, descoordenação entre esferas públicas e privadas e carência de planejamento integrado.
Para entender melhor os desafios da execução racional desses investimentos, a reportagem ouviu o engenheiro Fernando Botarro, referência nacional em engenharia consultiva e gestão de projetos multidisciplinares.
“Projetar é mais que desenhar — é gerir”
Segundo Botarro, o Brasil tem avançado na atração de investimentos, mas ainda precisa superar o que ele considera o tripé essencial da infraestrutura: projeto, recursos e gestão.
“Nenhum investimento em infraestrutura se sustenta apenas com dinheiro e boas intenções. É preciso começar com um projeto bem estruturado, feito por engenheiros experientes, e complementá-lo com uma gestão eficiente, que assegure a execução dentro do prazo, do orçamento e da qualidade exigida”, afirma.
Ele explica que, muitas vezes, o problema não está na falta de verba, mas na ausência de coordenação técnica e administrativa entre as disciplinas de engenharia — elétrica, civil, mecânica, automação, telecomunicações — o que gera retrabalhos, atrasos e desperdício de recursos públicos.
“A integração de disciplinas ainda é um ponto crítico. Quando não há compatibilização adequada, o custo final pode aumentar exponencialmente. É uma questão de método e gestão, não apenas de capacidade técnica”, pontua.
Botarro destaca ainda que o cenário brasileiro tem paralelos com outros países que enfrentam gargalos semelhantes na conversão de recursos públicos em obras concluídas. A diferença, segundo ele, está no nível de profissionalização da gestão técnica e na clareza de responsabilidades entre projetistas, contratantes e executores.
“Mesmo em nações com forte capacidade econômica, os desafios são parecidos: orçamentos subestimados, cronogramas irreais e falhas na comunicação entre órgãos e fornecedores. A engenharia é uma ciência exata, mas o gerenciamento de projetos é uma arte que exige disciplina e visão de longo prazo”, observa.
O desafio da transformação

Para o engenheiro, o fórum Brasil–Suíça representa uma oportunidade simbólica de reposicionar a engenharia brasileira no cenário global, desde que os investimentos sejam acompanhados de políticas de profissionalização técnica e fortalecimento institucional.
“Se o país quer transformar investimento em desenvolvimento, precisa investir também em planejamento e gestão. Sem isso, cada obra vira uma promessa adiada. Precisamos de estrutura, metas claras e continuidade — independentemente de governos ou ciclos econômicos”, conclui.
Quem é o especialista ouvido
Fernando Botarro Filho é engenheiro eletricista, eletrônico e de telecomunicações formado pela PUC Minas, com pós-graduação em Gerenciamento de Projetos. Aos 42 anos, é sócio-proprietário e diretor executivo de uma empresa de Engenharia e Projetos Ltda., consultoria multidisciplinar atuante nos segmentos hospitalar, industrial, corporativo e público.
Com mais de 20 anos de experiência em engenharia de projetos e 15 em gestão de equipes, Botarro liderou empreendimentos de grande porte nos setores hospitalar, aeroportuário, industrial, mínero-metalúrgico e siderúrgico.
Reconhecido por sua capacidade de unir inovação, segurança e eficiência, ele é hoje uma das principais vozes da engenharia brasileira, defendendo uma abordagem baseada em planejamento estratégico, compatibilização técnica e excelência operacional — princípios que sintetizam sua visão: sem gestão, não há obra que avance, por melhor que seja o projeto ou o orçamento.
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