– convidado especial Thiago Moreira
Nas últimas décadas, enquanto o Brasil discute evasão escolar, saúde mental e o avanço alarmante do sedentarismo entre jovens, práticas educativas baseadas no movimento ganham força como instrumentos de aprendizagem e pertencimento, e nesse cenário as danças urbanas surgem como linguagem acessível, culturalmente potente e profundamente conectada às vivências dos estudantes, algo que o educador físico, coreógrafo e diretor Thiago Rodrigo Moreira testemunhou de perto em sua atuação na rede pública de Joinville, onde percebeu que o hip hop se tornava porta de entrada para alunos que, muitas vezes, não se reconheciam nas propostas pedagógicas tradicionais.
Quando Thiago começou a lecionar no ensino fundamental e médio, já acumulava a experiência de fundador do Maniacs Crew, grupo criado em 2008, transformado rapidamente em projeto social. Parte dos jovens que chegavam às escolas enfrentavam dificuldades de concentração, autoestima e vínculo com o ambiente escolar, fenômeno que se conecta aos dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PENSE/IBGE 2019), segundo a qual 36% dos adolescentes brasileiros não atingem o nível mínimo recomendado de atividade física e mais de 20% relatam sensação frequente de solidão, indicadores que, segundo Thiago, “refletem um país onde muitos estudantes carregam tensões que não cabem nas carteiras, mas encontram saída quando o corpo começa a se mover de um jeito que faz sentido para eles”.
As diferenças começaram a aparecer quando Thiago integrou exercícios de musicalidade, improvisação e montagem coreográfica ao cotidiano das aulas, criando um ambiente em que disciplina, expressão e coletividade conviviam sem hierarquias rígidas, e esse impacto encontra respaldo em pesquisas como o relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS, 2021), que aponta que adolescentes fisicamente ativos apresentam até 30% mais capacidade de concentração e melhor desempenho cognitivo, dados que se faziam visíveis quando turmas antes dispersas passaram a demonstrar maior foco e engajamento, sobretudo porque, como explica o próprio Thiago, “o hip hop desperta o aluno porque traz o mundo dele para dentro da escola, e quando isso acontece ele deixa de ser espectador e passa a ser protagonista”.

O trabalho de Thiago também se amparou na formação científica adquirida na Licenciatura em Educação Física pela Univille em 2017 e no Bacharelado pela Uniasselvi em 2018, conhecimentos que o ajudavam a integrar anatomia, fisiologia e prevenção de lesões às práticas artísticas, permitindo que os estudantes compreendessem de forma concreta como o corpo funciona e como a dança pode melhorar resistência, coordenação e saúde, algo coerente com estudos do Instituto do Coração (InCor/USP), que mostram que atividades rítmicas aumentam a eficiência cardiovascular e reduzem marcadores de estresse, benefícios que se tornavam perceptíveis até nos alunos mais resistentes às atividades físicas tradicionais.

Hoje, em um contexto educacional em que o país ainda enfrenta altas taxas de ansiedade entre adolescentes chegando a 14% segundo a Fiocruz (2022) e desafios crescentes de engajamento, a defesa de Thiago para que o hip hop seja incorporado como metodologia e não apenas atividade extracurricular ganha ainda mais relevância, pois ele acredita que “a dança ensina a negociar limites, a cooperar, a ouvir, a persistir, e quando a escola oferece isso, ela entrega ferramentas de vida, não apenas conteúdos”.
Ao observar o impacto acumulado de sua atuação como professor, coreógrafo e mentor artístico, fica evidente que a dança urbana não ocupa a escola como um adendo cultural, mas como tecnologia pedagógica capaz de unir aprendizado, saúde e pertencimento, e foi justamente essa fusão que permitiu que centenas de estudantes encontrassem no movimento uma nova maneira de se olhar e de olhar o mundo, comprovando que a educação segue sendo mais forte quando reconhece que corpo, mente e comunidade aprendem juntos, sempre em movimento.
Texto criado por Nathalia Pimenta
Supervisão jornalística aprovada por Radija Matos
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