Entre a confiança institucional e os limites do cargo: o peso de ser conselheiro no Corinthians
Ser conselheiro de um clube de futebol é lidar diariamente com uma realidade muito diferente daquela imaginada por quem observa de fora. Existe a crença de que conselheiros têm poder absoluto, acesso irrestrito a documentos e controle total sobre decisões estratégicas. Na prática, o papel é bem mais limitado, técnico e, muitas vezes, condicionado à confiança em pareceres e instâncias internas do próprio clube.
Nos últimos dias, voltou ao centro do debate o acordo envolvendo o Sport Club Corinthians Paulista e a Caixa Econômica Federal, após a divulgação pública do contrato e o vazamento de uma lista não oficial com nomes de conselheiros que estiveram presentes na reunião que tratou do tema. A partir disso, criou-se uma narrativa simplificada, como se todos os presentes tivessem tido acesso pleno ao contrato definitivo e deliberado sobre ele com total domínio do seu conteúdo.
O que pouco se explica é o contexto daquela reunião. O encontro teve duração de pouco mais de uma hora e foi marcado por uma leitura técnica e uma explanação conduzida pelo CORI, o Conselho de Orientação, instância responsável por analisar cenários, riscos e alternativas antes que o tema chegue ao plenário. Essa leitura serviu como base para a discussão e para a confiança institucional dos conselheiros presentes, que ouviram, questionaram e debateram dentro do tempo e das informações disponibilizadas naquele momento.
É fundamental registrar que a votação realizada não tratava da aprovação formal de um contrato com todas as suas cláusulas consolidadas. A deliberação foi apresentada como uma autorização para avançar em um possível acordo, sustentado por pareceres técnicos, avaliações jurídicas e financeiras, além da recomendação expressa do próprio CORI. Dentro desse rito, os conselheiros exerceram seu papel de forma legítima, confiando nos órgãos internos que, estatutariamente, existem justamente para filtrar e orientar decisões complexas.
Entre os nomes citados está Miriam Athie, conselheira vitalícia, presença constante nas reuniões e profissional do Direito, conhecida por sua postura criteriosa e responsável. Sua atuação sempre foi marcada por atenção aos processos, respeito às normas e compromisso com o clube. Assim como outros conselheiros, ela participou da reunião acreditando estar analisando a viabilidade de um caminho, não a chancela definitiva de um contrato fechado e executável. A conselheira gravou um vídeo pedindo desculpas e que errou ao assinar a presença de uma reunião que, mesmo sem o conhecimento dos fatos, contribuiu para acordos negativos ao clube.

O fato de seu nome constar em uma lista não oficial não muda a essência do que ocorreu naquela noite. Os conselheiros, de forma geral, atuaram dentro das informações que lhes foram apresentadas, em um ambiente de confiança institucional, respaldado por uma leitura técnica conduzida pelo CORI e por pareceres previamente aprovados em outras instâncias do clube. Não houve omissão deliberada, tampouco anuência consciente a algo que extrapolasse o que foi colocado como objeto da votação.
Ainda assim, com a responsabilidade que sempre demonstrou, Miriam Athie se coloca à disposição para reavaliar o conteúdo do contrato à luz dos fatos que vieram a público posteriormente. Sua postura reflete não culpa, mas compromisso, o compromisso de quem entende que decisões dessa magnitude merecem reexame cuidadoso sempre que surgem dúvidas legítimas sobre seus efeitos ao clube.
Esse episódio escancara uma verdade incômoda, conselheiros não são figuras onipotentes, nem detêm, sozinhos, o controle das engrenagens administrativas. Eles dependem de informações, de pareceres e de estruturas internas que deveriam garantir clareza e segurança. Presumir má-fé ou irresponsabilidade é ignorar como, de fato, funcionam as decisões dentro de um clube do tamanho do Corinthians.
Defender os conselheiros, neste caso, não é negar a gravidade do tema, mas reconhecer que boa-fé, confiança institucional e limites de atuação fazem parte do processo. O Corinthians precisa de transparência, responsabilidade e revisão constante, mas também de justiça com quem atua acreditando estar fazendo o melhor pelo clube.
As informações contidas neste texto são de responsabilidade dos colunistas e podem não necessariamente expressam a opinião deste portal.
É expressamente proibido cópia, reprodução parcial, reprografia, fotocópia ou qualquer forma de extração de informações do site EGOBrazil sem prévia autorização por escrito, mesmo citando a fonte. Cabível de processo jurídico por cópia e uso indevido, esse conteúdo pode conter IA.
Fique por dentro!
Para ficar por dentro de tudo sobre o universo dos famosos e do entretenimento siga o EGOBrazil no Instagram.



