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Poucos artistas brasileiros conseguiram transformar a estrada em linguagem, identidade e conceito musical como Landau. Com uma carreira que atravessa o circuito alternativo, a televisão aberta, trilhas internacionais e parcerias históricas, o cantor e compositor construiu um caminho singular dentro do rock nacional, sempre guiado pela liberdade, pelo movimento e pela curiosidade.
O ponto de virada, segundo o próprio artista, veio em 2005, quando lançou a coletânea O Predador do Asfalto. O trabalho reuniu faixas dos seus três primeiros álbuns, além de músicas inéditas, e chamou a atenção da MTV, então principal vitrine da música brasileira. “Aquele lado irreverente despertou a atenção da MTV, que era o pilar da música naquela época. Ali, acredito que o Brasil começou a me conhecer um pouco melhor”, relembra.
Se a coletânea abriu portas, foi a música “Lata Velha” que projetou definitivamente o nome de Landau para milhões de brasileiros. Criada para o quadro apresentado por Luciano Huck, a canção se tornou um clássico da TV e um divisor de águas em sua trajetória. “Defino Lata Velha como um marco da minha carreira. Foi um processo intenso, com prazo curto, gravação da música e produção de clipe acontecendo ao mesmo tempo. Tenho muito carinho por esse trabalho, porque ele foi crucial para a criação do meu estilo, o rock mobilismo”, afirma. Para o artista, fazer parte de um programa que atravessa gerações é motivo de orgulho. “São mais de 20 anos no ar, isso é demais.”

Menos conhecida do grande público, mas igualmente relevante, é a experiência internacional de Landau no mercado de trilhas sonoras. Fã declarado de westerns e de músicas instrumentais, ele compôs para o seriado Bones, exibido no Brasil pelo SBT. Na época, contratos com a TV brasileira o obrigaram a adotar um pseudônimo. Assim nasceu Washington Del Buffalo, alter ego que lhe permitiu explorar novas atmosferas sonoras. “O que começou como uma vinheta virou uma música completa e depois um álbum inteiro. Criei um personagem misterioso e introspectivo, e tenho um orgulho enorme desse trabalho”, conta. Para ele, o mercado de trilhas ainda é um território fértil, com espaço para filmes, documentários e games.
Outro capítulo especial da carreira é a parceria com Zé Geraldo, que une duas gerações do rock brasileiro. Ídolo confesso desde a adolescência, Zé Geraldo representa, para Landau, mais do que uma colaboração artística.
“Ele é minha principal referência musical. Somos amigos há décadas e agora estamos finalizando um álbum que reúne muitos desses encontros. É uma sensação maravilhosa, como zerar a vida”, revela. Apesar da diferença de idade, a sintonia vem das mesmas influências. “Bebemos da mesma fonte, Raul Seixas, Bob Dylan, Roberto Carlos. A linguagem é a mesma.”
Depois de tantos marcos, a pergunta inevitável é o que ainda move um artista com uma história tão consolidada. A resposta é simples e, ao mesmo tempo, profunda. “Minha motivação sempre foi colecionar memórias. Amo conhecer lugares, pessoas e suas histórias. Sou curioso e disposto a levar minha música o mais longe possível, e também a ir ao encontro de quem já a conhece. E ainda faltam muitos lugares para isso acontecer.”
Entre o asfalto, os palcos, as telas e as trilhas, Landau segue em movimento, fiel à essência que transformou a estrada em palco e a vida em canção.
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