Dani Calabresa faz relato inédito sobre assédio sexual de Marcius Melhem

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Dani Calabresa, Georgiana Góes, Maria Clara Gueiros e demais atrizes, roteiristas e diretores romperam o silêncio e decidiram contar detalhes inéditos sobre o caso que envolve o humorista Marcius Melhem; acusado de assédio sexual e moral dentro da Rede Globo.

O fato veio à tona em 2019 com um depoimento chocante de Dani Calabresa. No ano seguinte, em 2020, Melhem já estava sendo investigado em inquérito policial aberto na Delegacia da Mulher do Rio de Janeiro. Ele, por sua vez, processa Calabresa por danos morais.

 

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O grupo citado acima se reuniu em uma entrevista exclusiva comandada pelo colunista Guilherme Amado e publicada no jornal Metrópoles desta sexta-feira, 24 de março. Os depoimentos ouvidos pelas supostas vítimas e pelo acusado são fortes e inéditos. Amado dividiu o conteúdo em dois vídeos intitulados: “Caso Marcius Melhem: elas falam” e “Caso Marcius Melhem: ele fala”. Vamos aos depoimentos, começando pelas supostas vítimas.

Dani Calabresa contou que Melhem tinha o hábito de contracenar encostando o pênis ereto em atrizes ou tentando forçar sua língua em beijos que deveriam ser técnicos.

“Estava insustentável trabalhar em um ambiente em que eu comecei a perceber que eu era barrada dos convites; que eu não era liberada para as coisas; que eu estava trabalhando com tremedeira; que ele se aproveita das brincadeiras para brincar ereto; que ele pega de verdade; ele tenta enfiar a língua de verdade. Não é selinho, não é piada, não é brincadeira”, contou a humorista.

A roteirista Carolina Warchavsky, presente no entrevista, comentou. “Quando saiu na imprensa a notícia sobre o assédio sofrido pela Dani, eu entendi todos os comportamentos típicos de assédio que estavam acontecendo, tudo o que eu tinha ouvido falar quando comecei na TV Globo. Eu entendi que era verdade, que eu tentei bloquear um tempo como se não fosse”, lembrou ela.

Todos ali presentes também descreveram como era o ambiente de trabalho com o acusado: “tóxico”. “O que me chamava mais atenção era uma certa falta de vida pessoal. Ele queria transformar aquela coisa do trabalho, a espontaneidade das relações profissionais, para a vida dele”, contou o ator Marcelo Adnet.

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Naquela época, Marcius Melhem era diretor de humor da Globo. A relação de ‘chefe’ também foi marcada por assédios morais. “Para mim, o ambiente do Núcleo de Humor da Globo era muito divertido, mas tinham momentos de constrangimento, que eu demorei para entender que não eram normais e tinham o nome de assédio”, explicou a atriz Georgiana Góes.

 

Melhem também foi escutado. Ele afirmou ter cometidos “alguns erros”, não disse quais, mas rebateu todas as acusações de assédio feitas contra ele. Ele ainda falou sobre a carta de demissão que recebeu da emissora. “Tem gente que publica essa carta do compliance dizendo que a TV Globo comprovou um assédio que não existe. A carta da emissora não fala em assédio. Eu cometi erros — eu assumo que cometi — eu nunca disse que eu não cometi erros. Eu falei exaustivamente, várias vezes, que eu acho que cometi erros”, disse.

Em outro momento, o humorista admitiu investidas em Dani Calabresa e contou como era a relação entre eles. “Ela [Dani Calabresa] nunca me disse ‘não’. Só disse ‘sim’. Você não pode desdizer que você tinha uma intimidade, que você brincava. Se a Dani Calabresa tivesse me dito em qualquer momento: ‘Não, não quero’, ou dado a entender isso, eu teria parado imediatamente. Ela me dava sinais repetidos de que existia uma intimidade entre nós, de que podia acontecer”, disse o humorista. Melhem, por sua vez, ignorou o fato de saber que existem diferentes maneiras de dizer “não”.

Dani Calabresa então explicou porque agiu de tal forma. “Não tem um manual de instrução para lidar com uma situação que te deixa constrangido. Cada uma lida de um jeito, né? Eu lidava com brincadeira, sabe? Ele falava: ‘Tá gata’. Eu respondia: ‘Deus te pague’, ‘É porque você não viu o buço’, ‘Sai tudo no banho, a maquiagem sai’, ‘Ai Deus te pague. Obrigada pelo elogio, mas é um amigão’. Mas tenta se colocar no meu lugar. Eu amava trabalhar nesse ambiente e, para não criar uma briga com o meu chefe, eu fingia que achava engraçado. Eu cortava ele pessoalmente e compensava na mensagem“, explicou.

As mulheres ouvidas pelo colunista Guilherme Amado disseram ainda que a insistência do acusado as deixaram traumatizadas e querendo sair da Globo. “Eu também não queria comprar briga com o chefe, porque eu amo trabalhar. Então, comprar briga com ele, sabe? Custaria mesmo a minha carreira. Só que chegou um ponto que eu queria sair. Para mim, eu não tinha medo de sair. Eu tinha medo de ficar”, contou Dani Calabresa.

Em agosto de 2020, Marcius Melhem foi demitido da Rede Globo. Na entrevista, o humorista recordou o dia em que argumentou a decisão da empresa. “Quando eu perguntei para a TV Globo na época qual é a prova que eu tenho então que não houve assédio, eles responderam: ‘A prova que você tem é a sua saída com todos os direitos e com a sua carteira de trabalho limpa’”.

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