Compositor brasileiro se consolida no audiovisual ao criar trilhas que ampliam emoção, ritmo e identidade de filmes e séries nacionais
Daniel Simitan construiu sua trajetória entendendo que, no audiovisual, a música não ocupa um lugar secundário. Ela respira junto com a cena, antecipa sentimentos e, muitas vezes, diz o que o roteiro escolhe silenciar. Com esse olhar, o compositor vem se firmando como um dos nomes mais consistentes da música para cinema e televisão no Brasil.
Nos últimos trabalhos, Simitan esteve à frente das trilhas de “O Natal dos Silva” e “Agentes Muito Especiais”, dois projetos distintos em tom e linguagem, mas unidos pela forma sensível com que a música se integra à narrativa. Em “O Natal dos Silva”, exibida no Canal Brasil, a trilha acompanha o clima afetivo da série, desenvolvendo o luto que os personagens enfrentam pela morte da Dona Zelina, e equilibrando com humor as adversidades da família Silva, isso sem recorrer a fórmulas óbvias do gênero natalino. Já em “Agentes Muito Especiais”, longa-metragem que aposta em ação e comédia, a música ocupa um papel estrutural na construção do filme. Inicialmente marcada pela leveza e descontração da música pop, a trilha sonora evolui gradualmente até assumir, no desfecho do longa, um tom carregado de tensão e energia, espelhando o desenvolvimento dos personagens.
A capacidade de transitar entre universos tão diferentes é resultado de uma formação sólida e de uma escuta atenta à linguagem audiovisual. Daniel acumula experiências em cinema, séries, teatro e publicidade, sempre com o mesmo cuidado em tratar a música como parte orgânica da história, e não como mero acompanhamento.
Antes desses projetos recentes, o compositor já havia recebido amplo reconhecimento com a trilha do longa “Marte Um”. O trabalho rendeu prêmios importantes e consolidou seu nome no circuito nacional e internacional, abrindo espaço para novos convites e parcerias.
Com novos projetos em desenvolvimento e uma filmografia que cresce de forma consistente, Daniel Simitan segue expandindo seu campo de atuação, reafirmando a música como linguagem narrativa essencial no audiovisual brasileiro contemporâneo.
Ping-pong com Daniel Simitan
Em que momento você percebeu que a trilha sonora poderia ser um elemento narrativo central?
Acredito que tenha sido quando me apaixonei por este universo, me lembro de assistir os filmes e ficar lembrando da música por longos períodos, sempre procurava o álbum da trilha para ficar escutando repetidas vez, assim fui percebendo cada vez mais o tempo de cada cena, como a música dialogava com o que eu estava vendo e, muitas vezes, como eu era completamente conduzido pela música.
O que guiou a criação da trilha de “O Natal dos Silva”?
Queríamos algo que traduzisse o natal da familia brasileira, que nos enxergássemos na série. Acredito que a música ajudou a trazer essa brasilidade e também contribuiu na construção da melancolia tão presente nesse período de festas.
Já “Agentes Muito Especiais” tem outra energia. Como foi mudar completamente o registro?
Eu sempre busco em meus trabalhos que cada projeto tenha uma identidade musical muito particular, como se fosse sua assinatura musical. Acho que cada projeto traz um desafio de imersão, é necessário que você se envolva o máximo possível com a história que quer contar, é importante se envolver com os personagens e seus sentimentos. Particularmente essa é uma das coisas que mais me encanta em fazer cinema, eu adoro ficar imerso naquele mundo que criamos.
Como funciona seu processo criativo no início de um projeto?
Começa com muita conversa. Ler o roteiro é importante, porém escutar o que o diretor pensa sobre o filme é muito melhor, geralmente o diretor já está imerso na história há um bom tempo, então quando eu chego acredito que escutar seja o melhor a se fazer. Depois começo a propor caminhos musicais, proponho temas, as vezes algo na linha do que o diretor pensava outras vezes algo que o diretor nem cogitava.
Sua trilha para “Marte Um” marcou um ponto importante da sua carreira. O que aquele trabalho representa hoje para você?
Representa muito, com certeza foi o filme que, de certa forma, deu uma identidade para o meu trabalho, essa característica de compor temas melodicamente marcantes com certeza nasceu com o “Marte Um”. Também foi o filme que me projetou para novos projetos como compositor, muitas pessoas que trabalham comigo hoje me conheceram através do “Marte Um”.
Você sente diferença entre compor para cinema e para séries?
Sim, o processo se distingue em alguns momentos. Apesar do processo de compor temas e climas seja o mesmo, nas séries o volume musical é maior, por vezes temos mais personagens que tangenciam de forma relevante a narrativa, enquanto que nos filmes precisamos direcionar melhor as ideias para que tenhamos uma espécie de “fechamento” e conclusões com o espectador.
O que você busca nos próximos trabalhos?
Histórias que me desafiem. Projetos com histórias marcantes, relevantes, e que permitam explorar a música como parte viva da narrativa.
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