Após falir empresa com 43 funcionários, Pettrus Vaz reconstrói trajetória com uso de inteligência artificial e estrutura negócios autônomos focados em eficiência e produtividade
Mais de 4,1 milhões de empresas foram abertas no Brasil em 2024, enquanto cerca de 2,1 milhões encerraram atividades no mesmo período, segundo o Mapa de Empresas do Governo Federal atualizado em 2025.
Ao mesmo tempo, a inteligência artificial generativa deve gerar entre US$ 2,6 trilhões e US$ 4,4 trilhões por ano na economia global, de acordo com relatório recente da McKinsey & Company. O cruzamento desses dados expôs uma mudança relevante: crescer deixou de ser apenas vender mais e passou a depender de eficiência, controle e capacidade de adaptação tecnológica.
Foi a partir desse ponto que Pettrus Vaz reconstruiu a própria trajetória.
Natural de Venturosa, no interior de Pernambuco, o empreendedor precisou fechar uma agência com 43 funcionários após um crescimento acelerado no mercado de lançamentos digitais. O problema não estava na demanda, mas na estrutura da operação. “Eu tinha faturamento, equipe e clientes, mas não tinha previsibilidade. Cresci sem estrutura e isso cobra um preço. A empresa não quebrou por falta de venda, mas por falta de gestão”, diz.
A falência levou a uma revisão completa do modelo de negócio. Ao analisar os erros, identificou padrões recorrentes, excesso de tarefas manuais, retrabalho constante e ausência de processos bem definidos. Foi nesse processo que a inteligência artificial deixou de ser tendência e passou a ser base de reconstrução. “Quando comecei a aplicar IA nos meus próprios processos, entendi que dava para operar melhor, com menos custo e muito mais controle”, afirma.
O aprendizado deu origem a um novo modelo de negócio. Em vez de estruturas grandes, passou a desenvolver empresas com equipes enxutas, apoiadas em tecnologia e inteligências integradas para ganho de produtividade.
Na prática, a mudança reduz custos operacionais, aumenta a previsibilidade e permite escalar operações com menos dependência de mão de obra e mais eficiência.
Hoje, além das empresas voltadas à implementação da cultura AI First, ou seja, a Inteligência Artificial como primeiro passo, Pettrus Vaz também lidera a IAIRON Academy, que já reúne mais de 12 mil alunos e tem foco na aplicação prática da inteligência artificial no dia a dia profissional e empresarial.
“Não é a inteligência artificial que tira empregos. O que elimina oportunidades é a falta de qualificação. Quem entende como usar esses processos, passa a produzir mais, ganhar mais e ocupar novos espaços”, diz.
A trajetória acompanha uma transformação mais ampla. Estudo da McKinsey aponta que até 60% das atividades realizadas nas empresas podem ser parcialmente automatizadas com tecnologias já disponíveis. Ao mesmo tempo, o Fórum Econômico Mundial projeta a criação de 69 milhões de novos empregos até 2027, impulsionados principalmente por tecnologia e análise de dados.
Na operação das empresas, o impacto já aparece. A adoção de inteligência artificial tem sido direcionada principalmente para redução de custos, organização de processos e aumento de produtividade.
Entre os principais ganhos estão a diminuição de falhas humanas, a padronização de fluxos e a geração de dados mais confiáveis para tomada de decisão.
“A tecnologia deixou de ser diferencial. Hoje, ela é o que sustenta a margem do negócio”, afirma.
A experiência prática também definiu a forma como passou a orientar outras empresas. Em vez de projetos amplos, a recomendação é começar por áreas críticas do negócio.
“O erro mais comum é tentar automatizar tudo ao mesmo tempo. O caminho mais eficiente é começar pelo que impacta diretamente o caixa”, diz.
Apesar do avanço, a adoção ainda enfrenta obstáculos. Um dos principais está na tentativa de aplicar tecnologia sem organização prévia.

“Muita empresa investe em ferramentas antes de entender o próprio processo. A inteligência artificial não resolve a desorganização. Ela amplifica o que já existe”, afirma.
Outro ponto crítico está na escolha de parceiros. “Não basta saber tecnologia. É preciso entender de negócio, senão a solução não se sustenta no dia a dia.”
Com novos negócios em desenvolvimento e expansão da base de alunos, a estratégia está centrada em escala por meio de automação e qualificação. “O acesso à tecnologia nunca foi tão amplo. A diferença está em quem aprende a usar. É isso que define quem cresce e quem fica para trás”, diz.
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