Chegar aos 50 é atravessar uma fronteira simbólica. Não é sobre idade — é sobre consciência. O corpo começa a falar mais alto, o espelho passa a ser menos complacente e a saúde deixa de ser um tema distante para se tornar prioridade. Não por medo, mas por escolha.
Durante muito tempo, fomos ensinadas a colocar tudo e todos à frente de nós mesmas: trabalho, filhos, família, urgências. O autocuidado sempre ficava para “quando desse”. Pois bem: depois dos 50, deu. Ou melhor, precisou dar.
Foi nesse lugar de escuta do meu próprio corpo que iniciei um tratamento de emagrecimento e longevidade com a doutora Letícia Lucas. Não como resposta a um padrão estético imposto, mas como um compromisso comigo mesma: viver mais, melhor, com energia, saúde e autoestima.
O protocolo que estou realizando envolve a tirzepatida, associada a um acompanhamento cuidadoso e individualizado, com reposição de vitaminas e nutrientes identificados ao longo do processo. Nada genérico, nada automático. Cada corpo carrega uma história — e merece ser tratado como único.
O que mais me chamou atenção nesse caminho não foi apenas a perda de peso, mas a mudança na relação com o meu corpo. A tirzepatida atua em mecanismos importantes do metabolismo e da saciedade, mas o verdadeiro tratamento acontece quando entendemos que emagrecer não é castigo, não é punição, não é culpa. É cuidado. É saúde. É presença.
Depois dos 50, o corpo muda. O metabolismo desacelera, os hormônios se reorganizam, o cansaço aparece com mais facilidade. Fingir que isso não existe só nos afasta de soluções possíveis. Olhar para isso com responsabilidade, informação e acompanhamento médico é um gesto de maturidade — e não de vaidade vazia.
Falar de longevidade é falar de futuro. É desejar chegar aos próximos anos com mobilidade, clareza mental, disposição e prazer de viver. É poder trabalhar, viajar, amar, criar, rir e sonhar sem que o corpo seja um obstáculo constante. E, sim, sentir-se bem com a própria imagem também faz parte disso. Autoestima é saúde emocional.
Quero deixar claro: este não é um convite à medicalização irresponsável, nem uma receita pronta. Cada mulher precisa ser avaliada, orientada e acompanhada por um profissional de confiança. O que compartilho aqui é uma experiência pessoal, que tem me feito repensar antigos discursos de culpa, sacrifício e negação do prazer.
Cuidar do corpo depois dos 50 não é tentar parecer mais jovem. É honrar a mulher que se é hoje. É reconhecer a trajetória, os desafios enfrentados, as marcas do tempo — e, ainda assim, escolher seguir com mais leveza.

A coluna DeZpadronizada sempre foi sobre sair das caixinhas. E talvez uma das maiores libertações seja justamente essa: entender que não precisamos sofrer para merecer cuidado. Podemos buscar saúde sem vergonha, sem segredo, sem pedir desculpas.
Depois dos 50, cuidar de si não é luxo.
É urgência.
É direito.
É amor-próprio em estado adulto.
Vanessa Goulartt
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