Relatório nacional aponta mudança estrutural na economia, onde o negócio próprio substitui o consumo como símbolo de ascensão, especialista da Pronix analisa o papel dos marketplaces nesse cenário
Empreender se consolidou como um dos principais projetos de vida do brasileiro. O relatório Global Entrepreneurship Monitor Brasil 2024, coordenado pelo Sebrae em parceria com a Anegepe, mostra que a taxa total de empreendedorismo chegou a 33,4% da população adulta no país, o maior índice dos últimos quatro anos. O estudo estima que cerca de 47 milhões de brasileiros entre 18 e 64 anos estejam envolvidos em alguma atividade empreendedora, seja na criação ou na manutenção de um negócio.
Hugo Vasconcelos, bacharel em administração de empresas, especialista em vendas de produtos físicos por marketplaces e sócio-fundador da Pronix, empresa de educação voltada à performance em vendas online, afirma que o número confirma uma mudança estrutural no comportamento econômico da população. “O brasileiro passou a enxergar o negócio próprio como instrumento de construção de patrimônio. O sonho deixou de ser apenas consumir e passou a ser produzir”, afirma.
O levantamento do Sebrae mostra que o Brasil permanece entre os países com maior taxa de empreendedorismo do mundo dentro do grupo analisado pelo Global Entrepreneurship Monitor. Além dos que já estão em atividade, o estudo identifica um contingente expressivo de brasileiros que manifestam intenção de abrir um negócio nos próximos três anos, classificados como empreendedores potenciais. O relatório também aponta que empreender figura entre os principais sonhos do brasileiro, consolidando o negócio próprio como objetivo central de ascensão econômica no país.
Com a digitalização do consumo, esse movimento encontrou nos marketplaces uma porta de entrada estratégica. Plataformas como o Mercado Livre se tornaram ambientes iniciais para quem deseja testar produto, validar demanda e operar com estrutura reduzida, aproveitando sistemas já consolidados de pagamento, logística e tráfego. A possibilidade de alcançar clientes em todo o país sem a necessidade de loja física diminui barreiras e acelera o início da operação.

Vasconcelos destaca que muitos empreendedores começam buscando renda complementar e acabam transformando a operação digital em negócio principal. “A plataforma permite testar categorias, entender comportamento de consumo e ajustar estratégia rapidamente. Mas quem cresce de forma consistente é quem trata a operação como empresa, com meta, indicador e reinvestimento”, afirma.
O avanço do empreendedorismo formal também aparece nos registros públicos. O Mapa de Empresas, do Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, aponta milhões de novos CNPJs abertos anualmente. Parte desses negócios, no entanto, encerra atividades nos primeiros anos, o que reforça a importância de planejamento e capacitação, especialmente no ambiente digital, onde a concorrência é ampla e a margem de erro é pequena.
O crescimento consistente da taxa de empreendedorismo sugere que o negócio próprio passou a ocupar lugar central no imaginário econômico brasileiro. Se antes o carro simbolizava mobilidade e ascensão, o empreendimento passou a representar independência financeira e possibilidade de expansão. A consolidação do digital amplia esse caminho, mas também exige preparo técnico e visão estratégica para transformar a intenção em permanência no mercado.
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