Consultor de growth aponta a falta de clareza estratégica como principal causa da estagnação de negócios que parecem produtivos, mas não evoluem
Planilhas atualizadas, reuniões frequentes, campanhas no ar. A rotina de muitas empresas transmite a sensação de produtividade constante. Ainda assim, os números não acompanham o esforço. O faturamento não cresce na mesma proporção, e decisões importantes seguem sendo adiadas ou tomadas sem consistência.
Esse descompasso revela um problema estrutural. Para o especialista em growth Cleivan Hebert, o ponto central não está na falta de trabalho, mas na ausência de direção clara sobre o que realmente gera crescimento. “Existe uma confusão comum entre estar ocupado e estar evoluindo. Nem tudo que movimenta a operação move o resultado”, afirma.
Na prática, isso se traduz em operações que funcionam, mas não avançam. Equipes executam tarefas diariamente, metas são discutidas, ferramentas são utilizadas, mas há pouca conexão entre essas ações e o impacto direto no faturamento. O resultado é um ambiente onde a sensação de esforço constante mascara a falta de progresso real.
Essa dinâmica costuma nascer de decisões pouco estruturadas. Sem critérios claros de prioridade, empresas distribuem energia em múltiplas frentes ao mesmo tempo. Campanhas são criadas sem ligação direta com metas financeiras, iniciativas são mantidas por hábito e não por desempenho, e indicadores são acompanhados sem interpretação crítica. O volume de atividade aumenta, mas o sistema continua improdutivo do ponto de vista estratégico.
Ao longo da sua trajetória, que inclui passagem por diferentes áreas e a construção de uma carreira consolidada a partir de uma mudança para São Paulo com apenas R$47, Cleivan desenvolveu uma leitura direta desse comportamento. A experiência prática o levou a identificar que o crescimento raramente é travado por falta de esforço. Na maioria dos casos, ele é comprometido por falta de clareza.
Esse padrão se intensifica quando o planejamento se distancia da execução. Muitas empresas conseguem estruturar boas ideias no papel, mas não transformam essas diretrizes em ação coordenada dentro da operação. “O plano que fica no slide não paga boleto”, resume. A crítica não está no planejamento em si, mas na incapacidade de conectar estratégia com prática diária.
Outro fator relevante é o uso de métricas que não refletem o desempenho do negócio. Indicadores de engajamento, alcance e visibilidade passam a orientar decisões, enquanto os dados que realmente sustentam o crescimento ficam em segundo plano. Essa inversão cria uma percepção distorcida de evolução. “Crescimento real se mede em receita, não em curtida”, afirma.
A consequência desse conjunto de falhas é um tipo de estagnação difícil de perceber. A empresa não está parada, mas também não está avançando de forma consistente. Existe movimento, mas não existe direção. E, sem direção, o esforço tende a se dispersar.
Ao analisar diferentes operações, Cleivan identifica que mudanças relativamente simples na forma de priorizar ações e interpretar dados já são suficientes para alterar esse cenário. O ponto de inflexão costuma ocorrer quando a empresa passa a entender quais atividades impactam diretamente o resultado e começa a concentrar energia nesses pontos.
Essa visão também se conecta ao seu propósito profissional. Tendo vivenciado um início com acesso limitado à estratégia, ele passou a defender a importância de tornar esse conhecimento mais acessível para empresas que operam sem orientação clara. A proposta não é sofisticar o discurso, mas tornar o crescimento compreensível e executável.
No ambiente atual, onde ferramentas e informação estão disponíveis em larga escala, o diferencial competitivo se desloca. Deixa de ser acesso e passa a ser critério. Saber o que priorizar, o que ignorar e o que ajustar continuamente se torna mais relevante do que simplesmente fazer mais.
Empresas que conseguem estruturar esse raciocínio tendem a construir crescimento com mais previsibilidade. As demais continuam operando em ritmo intenso, sustentadas por uma lógica de esforço contínuo. E é justamente essa lógica que, muitas vezes, impede que o resultado apareça.
Conteúdo produzido por colaborador do EGOBrazil e revisado pela equipe editorial antes da publicação. As informações seguem os critérios e padrões editoriais adotados pelo portal.
© EGOBrazil. Todos os direitos reservados. A reprodução total ou parcial deste conteúdo sem autorização prévia e por escrito é proibida.
Fique por dentro!
Para ficar por dentro de tudo sobre o universo dos famosos e do entretenimento siga o EGOBrazil no Instagram.


