A perda ou alteração do olfato, conhecida medicamente como anosmia ou hiposmia, continua a ganhar atenção no cenário de saúde pública, especialmente no contexto pós-pandemia de COVID-19. Dados recentes mostram que alterações na capacidade de sentir cheiros, que vão desde diminuição parcial até a perda total, foram relatadas em uma proporção significativa de pacientes infectados e, em muitos casos, persistem por meses ou até anos após a recuperação da doença.
Estudos clínicos apontam que cerca de metade a mais de metade dos infectados por SARS-CoV-2 tiveram algum grau de disfunção olfativa, variando conforme metodologia e coorte analisada, e que um número relevante de pessoas pode continuar com essa queixa por muito tempo após a fase aguda da infecção.
A perda do olfato, além de desconforto sensorial, tem implicações amplas para a qualidade de vida e segurança do indivíduo. A incapacidade de detectar odores pode comprometer a percepção de riscos ambientais como fumaça, gás ou alimentos estragados e afetar significativamente a experiência alimentar, já que o olfato está intimamente ligado ao paladar. Também há evidências de que essa disfunção pode estar associada a impactos emocionais, incluindo ansiedade e depressão, refletindo a profundidade com que o sentido olfativo está ligado às experiências e memórias humanas.
A médica otorrinolaringologista Renata Mori, especialista em doenças nasais em adultos e crianças, com especialização em cirurgias endoscópicas pela USP, afirma que, embora infecções virais — em especial a COVID-19 — tenham elevado a incidência de alterações no olfato nos últimos anos, a condição pode ter diversas causas e merece avaliação cuidadosa. “Desde infecções virais, incluindo o SARS-CoV-2, até inflamações crônicas da mucosa nasal, como rinite e sinusite, além de tumores, traumatismos, doenças neurodegenerativas e o próprio envelhecimento, uma alteração no olfato não deve ser subestimada. É um sintoma que pode sinalizar desde um processo transitório até condições de base mais complexas”, explica Mori, que atua há mais de 20 anos na área e participa como palestrante nos principais congressos, além de ser membro das sociedades brasileira e americana de otorrinolaringologia.
Segundo a especialista, nos casos associados à COVID-19, a maioria dos pacientes apresenta recuperação gradual do olfato nas semanas seguintes à infecção, mas uma parcela significativa relata sintomas persistentes por meses ou anos, o que hoje é entendido como parte das sequelas pós-virais. “Observamos que muitos pacientes recuperam a função olfativa espontaneamente com o tempo, mas outros desenvolvem formas prolongadas de hiposmia ou parosmia, quando os odores são percebidos de forma distorcida. Nesses casos, abordagens como a reabilitação olfativa guiada por especialistas podem ser importantes para a recuperação”, afirma a médica.
Ela destaca ainda que o tempo é um fator determinante no prognóstico. “Quanto antes o paciente é avaliado por um especialista, realiza exames como a olfatometria e inicia o tratamento adequado, maiores são as chances de recuperação do olfato”, reforça a Dra. Renata Mori.
A especialista ressalta que a perda do olfato pode, inclusive, ser um dos primeiros sinais de doenças neurodegenerativas e, por isso, a procura por avaliação médica especializada é fundamental. “Identificar a causa subjacente é o primeiro passo para um plano de tratamento eficaz, que pode envolver desde medidas clínicas simples até intervenções mais complexas, quando indicadas”, conclui.
Com a continuidade das pesquisas e o aumento da conscientização sobre os impactos da disfunção olfativa, especialistas esperam que mais pessoas com esses sintomas busquem diagnóstico e tratamento adequados, reduzindo o impacto dessa condição na vida cotidiana.
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