A Mocidade Unida da Mooca abriu os desfiles do Grupo Especial de São Paulo 2026, no Sambódromo do Anhembi, marcando sua estreia na elite com o enredo “Gèlèdés – Agbara Obinrin”, do carnavalesco Renan Ribeiro.
A escola apresentou um conjunto visual muito elogiado e uma bateria impactante, deixando forte impressão logo na primeira passagem pela Avenida, embora problemas técnicos possam pesar na avaliação dos jurados.

A comissão de frente, coreografada por Sabrina Cassimiro, representou a criação do mundo segundo a tradição iorubá, valorizando o princípio feminino. Fantasias caprichadas, alegoria detalhada e coreografia alinhada ao samba garantiram uma abertura bastante aplaudida. O primeiro casal, Jefferson Gomes e Karina Zamparolli, teve boa execução, mas foi prejudicado por uma parada da escola para interação com a bateria, o que aumentou o tempo de avaliação e obrigou a agremiação a acelerar depois.

Na harmonia, a comunidade começou cantando forte, mas perdeu intensidade quando o andamento foi apressado. O enredo — inspirado na luta histórica das mulheres negras e no trabalho do Instituto Geledés — foi bem compreendido pelo público e se destacou pela clareza narrativa.

O maior problema esteve na evolução: a escola iniciou mais lenta que o previsto, fez parada longa na pista e precisou correr para fechar o tempo, concluindo o desfile com 1h05min40s, o que pode gerar descontos. Apesar disso, o samba-enredo, interpretado por Sté Oliveira, Emerson Dias e Gui Cruz, funcionou bem e foi muito cantado, inclusive pelas arquibancadas.

Fantasias e alegorias foram pontos altos, com acabamento refinado e leitura fácil do enredo. A bateria “Chapa Quente”, comandada por Mestre Dennys Silva, animou público e componentes com bossas e apagões, enquanto a rainha Valeska Reis também se destacou.

Em síntese, a estreia foi impactante visual e musicalmente, mas falhas de andamento e organização podem custar pontos importantes na apuração.