O avanço da portaria virtual em condomínios residenciais e comerciais está provocando mudanças profundas na dinâmica do mercado de trabalho no setor de segurança. A substituição dos porteiros presenciais por sistemas automatizados, controlados remotamente, tem resultado em demissões em larga escala e reacendido discussões sobre os limites da automação e a necessidade de políticas de proteção ao emprego.
De acordo com o empresário Nisomar Provenzano, que atua há anos no segmento, a transição para a portaria virtual vem ocorrendo de forma acelerada e sem que muitos trabalhadores tenham tempo ou oportunidade de se adaptar. “Estamos observando uma demissão em massa de profissionais que atuavam como porteiros presenciais. Muitos não têm acesso à capacitação necessária para se inserir nessa nova realidade”, afirma.
Além da redução de custos para os condomínios — frequentemente apontada como principal benefício da tecnologia — a medida também traz efeitos colaterais que, segundo especialistas, precisam ser considerados. Organizações que acompanham o setor alertam para o risco de exclusão profissional de trabalhadores de meia-idade, com baixa escolaridade ou que não possuem habilidades digitais, justamente o perfil predominante entre porteiros tradicionais.
Para Nisomar, a inovação tecnológica é inevitável, mas precisa vir acompanhada de medidas compensatórias. “A tecnologia é importante, mas deve estar aliada a programas de qualificação e recolocação profissional. Caso contrário, criamos um problema social ainda maior”, avalia.
O tema também desperta preocupação em sindicatos e associações de trabalhadores, que defendem a criação de políticas públicas específicas para o setor, como linhas de crédito para requalificação e incentivos para a manutenção de parte da mão de obra presencial, especialmente em empreendimentos de grande porte.
O debate sobre o impacto da portaria virtual se insere em uma discussão mais ampla sobre os efeitos da automação em profissões tradicionais. Enquanto empresas e gestores veem na tecnologia uma forma de reduzir despesas e ampliar a eficiência, críticos apontam para o desafio de garantir que o avanço não ocorra à custa de milhares de empregos, sem alternativas de reinserção.

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