O setor de bens de consumo de rápida rotatividade, conhecido como FMCG, vive um momento de transformação profunda. Impulsionado pelo uso crescente de dados, inteligência artificial e por consumidores cada vez mais exigentes, o mercado passa a exigir das empresas não apenas eficiência, mas também propósito, transparência e conexão emocional.
Nesse cenário, o brasileiro Fabio Barboza Cabral desponta como uma das principais referências para entender essas mudanças. Com mais de 14 anos de experiência na indústria e atualmente baseado em Utah, nos Estados Unidos, ele lidera um portfólio de projetos globais no segmento de vitaminas, minerais e suplementos, unindo estratégia, inovação e gestão de equipes multidisciplinares.
Para Cabral, a principal mudança está no perfil do consumidor. “Colocar o consumidor no centro do processo de desenvolvimento de novos produtos é essencial para manter a competitividade. Transparência e responsabilidade deixaram de ser diferenciais e passaram a ser obrigação”, afirma.
Uma das tendências mais evidentes é o avanço do consumo consciente. Embalagens sustentáveis, rastreabilidade de ingredientes e compromisso ambiental passaram a influenciar diretamente a decisão de compra. Mais do que isso, marcas que conseguem comunicar seus valores de forma clara ganham vantagem.
Nesse contexto, ganha força o uso de modelos de inovação aberta para o desenvolvimento de novos produtos. A colaboração entre empresas, startups, fornecedores, centros de pesquisa e consumidores vem acelerando a criação de soluções mais alinhadas às novas demandas do mercado. O desenvolvimento de produtos deixa de ser um processo fechado e passa a ser mais dinâmico, orientado por dados, testes rápidos e cocriação. “A inovação aberta permite reduzir barreiras, encurtar ciclos de desenvolvimento e aumentar a assertividade das soluções lançadas ao mercado”, explica Cabral.
A crescente pressão competitiva e a necessidade de maior eficiência no uso de recursos também colaboram para que a inovação aberta se consolide como uma estratégia relevante no setor. A aproximação entre empresas e parceiros externos contribui para reduzir riscos e custos de desenvolvimento, além de acelerar a criação de novos produtos e aumentar a capacidade de adaptação às rápidas mudanças do mercado. “A adoção de práticas de inovação aberta permite às empresas otimizar recursos, reduzir incertezas no desenvolvimento e ganhar agilidade para responder a um ambiente cada vez mais dinâmico e competitivo”, afirma Cabral.
Outro ponto central dessa transformação está na tecnologia. A inteligência artificial deixou de ser apenas uma tendência e passou a fazer parte da operação das empresas. Desde a previsão de demanda até a reposição de produtos, o uso de dados vem tornando a cadeia mais eficiente. “A inteligência artificial hoje está no centro da tomada de decisão. Ela permite analisar preferências de consumidores e tendências de mercado, acelerar a pesquisa e o desenvolvimento de produtos e antecipar comportamentos, permitindo ajustar a operação da cadeia de suprimentos com uma precisão que antes não era possível”, destaca.
Essa mudança tecnológica também impacta diretamente a forma como as empresas se comunicam. A personalização se tornou uma exigência. Campanhas genéricas perdem espaço para estratégias direcionadas, baseadas no comportamento real do consumidor.

No Brasil, o cenário econômico também influencia o comportamento de compra. Com maior sensibilidade a preços, o consumidor adota uma postura mais cautelosa, comparando opções e buscando melhor custo-benefício. Ainda assim, o varejo de proximidade segue em alta, impulsionado pela conveniência e pela necessidade de compras rápidas no dia a dia.
Diante desse panorama, uma coisa é certa: o futuro do FMCG será definido pela capacidade das empresas de equilibrar eficiência operacional com conexão emocional. Mais do que vender produtos, será preciso construir relações de confiança.
Como resume Cabral: “As empresas que conseguirem unir agilidade, propósito e entendimento profundo do consumidor serão as que realmente vão se destacar nos próximos anos.”
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