Falhas de planejamento, desperdício de materiais e ausência de processos estruturados impactam custos, prazos e a rentabilidade de empreendimentos no setor
Mesmo com avanços tecnológicos e maior acesso a ferramentas de engenharia, a construção civil ainda apresenta níveis de produtividade significativamente inferiores aos de outros setores industriais. O problema, no entanto, pode não estar na técnica, mas na forma como as operações são geridas.
Dados do McKinsey Global Institute mostram que a produtividade global da construção cresce cerca de 1% ao ano, enquanto outros segmentos da indústria avançam até 3,6% no mesmo período. No Brasil, estimativas da Fundação Getúlio Vargas indicam que perdas de materiais podem chegar a 30% em determinadas obras, refletindo falhas estruturais de planejamento e execução.
Para Magnus Bruno Oyama Machado, engenheiro civil, empresário e cofundador da Mafrei Construtora e Incorporadora, o problema está na forma como a produtividade é interpretada dentro das empresas. “A construção civil não sofre por falta de tecnologia. Ela sofre por falta de gestão, controle e padronização. A baixa produtividade é consequência disso”, afirma.
Ao longo de quase duas décadas de carreira, Magnus participou da gestão e execução de mais de 11 mil m² construídos na Mafrei Construtora e Incorporadora, além de atuar na estruturação de operações nos setores de construção, incorporação e varejo de materiais.
Segundo ele, grande parte dos prejuízos de uma obra é definida antes mesmo do início da execução. “O erro mais caro da construção civil acontece antes da obra começar. Projetos mal compatibilizados, planejamento superficial e ausência de estratégia logística criam um efeito em cadeia que impacta custo, prazo e resultado financeiro”, explica.
Entre os principais gargalos do setor estão o desperdício de insumos, falhas no fluxo de materiais e ausência de processos estruturados. Para o especialista, muitas empresas ainda operam de forma reativa, sem método e sem previsibilidade. “Sem planejamento estruturado, a obra vira um ambiente de resposta a problemas. Isso gera retrabalho, perda de produtividade e redução de margem”, afirma.
A logística, frequentemente tratada como etapa secundária, também exerce papel central na eficiência das obras. A falta de organização no abastecimento e no controle de materiais compromete o ritmo da execução e amplia custos operacionais. “A obra precisa ser tratada como uma operação integrada. Engenharia, suprimentos e execução não podem funcionar de forma isolada. Quando não há alinhamento, a produtividade se perde no processo”, afirma.
Outro ponto crítico é a ausência de padronização. Empresas que não estruturam processos replicáveis acabam dependentes de conhecimento individual, limitando ganhos de escala e dificultando a evolução operacional. “Se cada obra começa do zero, sem método, a empresa não evolui. Ela repete erros e perde competitividade”, destaca.

Para reverter o cenário, Magnus recomenda práticas de gestão estruturadas, como controle de indicadores, planejamento detalhado e padronização de processos ao longo de toda a obra. A adoção de tecnologia também passa a ser um diferencial relevante, especialmente na integração entre planejamento, suprimentos e execução. “Produtividade não vem de esforço, vem de processo. Quando você mede, organiza e controla, consegue reduzir perdas, ganhar previsibilidade e aumentar a rentabilidade”, afirma.
Na prática, decisões técnicas e operacionais têm impacto direto na rentabilidade dos empreendimentos. Em projetos sob sua gestão, revisões estruturais e otimização de processos contribuíram para reduzir desperdícios e aumentar a margem financeira.
“Cada escolha dentro da obra influencia o resultado final. Engenharia e gestão precisam caminhar juntas para garantir viabilidade e lucro”, explica.
Diante do cenário de custos crescentes e pressão por prazos mais curtos, a produtividade deixa de ser diferencial e passa a ser condição de sobrevivência no setor. “Não se trata apenas de construir. Trata-se de construir com método. Empresas que não evoluírem na gestão tendem a perder espaço em um mercado cada vez mais competitivo”, conclui.
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