Demanda por serviços fiscais cross-border cresce com aumento de brasileiros que investem e empreendem fora do país
O número de negócios operando a partir de casa nos Estados Unidos segue elevado. Dados do U.S. Census Bureau indicam que milhões de empresas americanas funcionam no modelo home-based, especialmente no setor de serviços profissionais. Ao mesmo tempo, o Bureau of Economic Analysis aponta que o fluxo de investimentos internacionais entre EUA e outros países permanece robusto, ampliando a necessidade de orientação tributária especializada. Nesse cenário, imigrantes legais têm encontrado na contabilidade internacional uma alternativa viável de empreendedorismo, atendendo clientes no Brasil diretamente do território americano.
Fernanda Spanner, CEO da Spanner Consulting Group, afirma que o movimento é impulsionado pelo aumento de brasileiros com empresas, imóveis e investimentos nos Estados Unidos. “Cresceu a base de brasileiros que precisam entender regras fiscais dos dois países. Isso abriu espaço para profissionais que dominam a legislação americana e brasileira ao mesmo tempo”, diz.
Segundo o Internal Revenue Service, residentes fiscais nos EUA devem declarar renda mundial, o que inclui receitas provenientes do exterior. Paralelamente, a Receita Federal brasileira mantém obrigações para cidadãos que preservam vínculos fiscais com o Brasil. Essa intersecção exige conhecimento técnico específico. “Contabilidade doméstica resolve demandas internas. Contabilidade internacional envolve tratados, bitributação, reporte de ativos no exterior e planejamento sucessório”, explica.
O modelo de atendimento remoto permite que o profissional opere legalmente a partir de casa, desde que respeite regras migratórias e fiscais. É necessário validar se o visto autoriza atividade empresarial ou autônoma, estruturar a empresa corretamente e cumprir obrigações com o IRS e autoridades estaduais. “Não é improviso. É negócio formal, com registro, contratos e declaração adequada da renda”, afirma.
Dados do U.S. Bureau of Labor Statistics mostram que ocupações ligadas a contabilidade e auditoria mantêm demanda estável no país, especialmente com a complexidade crescente das regras fiscais. Para imigrantes que dominam dois sistemas tributários, essa especialização se transforma em vantagem competitiva. “O diferencial está na capacidade de interpretar as duas legislações e orientar o cliente de forma integrada”, diz.
A atuação cross-border envolve análise de tratados contra dupla tributação, definição de estrutura societária adequada, orientação sobre reporte de contas estrangeiras e planejamento de distribuição de lucros. O Financial Crimes Enforcement Network exige, por exemplo, declaração de contas mantidas fora dos EUA em determinadas situações, o que amplia a necessidade de acompanhamento técnico.

Além da oportunidade econômica, o modelo contribui para inserção produtiva de imigrantes legais sem pressionar o mercado local tradicional. Ao atender clientes brasileiros, o profissional gera receita em dólar e amplia conexões internacionais. “É uma atividade que fortalece a economia de serviços especializados e cria ponte entre dois mercados”, afirma.
Para quem deseja iniciar, a recomendação é investir em capacitação específica em tributação internacional, estruturar formalmente a atividade e manter acompanhamento contábil contínuo. “Conhecimento técnico aliado à conformidade fiscal transforma a contabilidade internacional em caminho sólido de empreendedorismo”, conclui.
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