Vídeo do cantor sobre depressão e traumas de infância mobiliza fãs, levanta alertas e reforça a importância de falar sobre sofrimento emocional sem julgamentos
A repercussão de um vídeo publicado por Fiuk, em que o cantor aparece interpretando uma música inédita com referências à depressão e a traumas de infância, reacendeu o debate sobre saúde mental nas redes sociais. Fãs passaram a interpretar o conteúdo como um possível pedido de ajuda, tema que ganhou ainda mais visibilidade por surgir durante o Janeiro Branco, campanha dedicada à conscientização sobre o cuidado emocional.

Para a psiquiatra Dra. Jessica Martani, é preciso cautela ao interpretar manifestações artísticas. “As formas de comunicação mudaram e hoje uma das principais formas de expressão da contemporaneidade é pelas redes sociais. No caso dele, que é artista, a música é uma linguagem legítima de expressão emocional. Não dá para inferir se isso é um pedido de ajuda, mas certamente é uma forma de expressar tristezas e pensamentos”, explica. Segundo ela, quando situações do passado não estão bem elaboradas, a busca por acompanhamento psicológico é fundamental, assim como a atenção de pessoas próximas.
O vídeo também trouxe à tona a relação entre infância e saúde mental na vida adulta. De acordo com a psiquiatra, essa fase é determinante para a formação da personalidade. “Do ponto de vista científico, a infância é o período em que mais ocorrem as chamadas podas neurais, quando o cérebro está em constante transformação. Experiências traumáticas como abandono emocional, negligência, violência ou ambientes instáveis podem deixar o sistema de estresse hiperativado”, afirma. Na fase adulta, esses traumas podem reaparecer em forma de baixa autoestima, culpa excessiva e padrões de relacionamento não saudáveis.
O episódio contribui ainda para ampliar a compreensão sobre os sinais da depressão, que nem sempre são óbvios. “Muitas pessoas acreditam que o principal sinal da depressão é a tristeza ou a vontade de chorar, mas o mais importante é a perda de prazer nas atividades que antes eram prazerosas”, destaca Dra. Jessica. Alterações de sono, apetite, lentificação do pensamento e dos movimentos também podem indicar o transtorno.

Segundo o médico especialista em saúde mental Iago Fernandes, o Janeiro Branco ajuda a trazer esse tipo de discussão para o centro do debate público. “Janeiro simboliza recomeços, mas também pode escancarar frustrações, cobranças internas e ansiedade. Falar sobre saúde mental nesse período ajuda as pessoas a se organizarem emocionalmente para o ano que está começando”, afirma.
Iago reforça que muitas vezes quem está em sofrimento não percebe a gravidade do quadro. “A pessoa tende a achar que é só uma fase ou que está exagerando. Por isso, o olhar de quem convive é essencial. Quando alguém próximo percebe mudanças de comportamento, o incentivo à busca por ajuda profissional pode ser decisivo”, explica. Ele lembra que o tratamento pode envolver psicoterapia, acompanhamento médico e, em alguns casos, uso de medicação.
Para o especialista, a exposição responsável de temas ligados à saúde mental por figuras públicas tem um papel social importante. “Quando alguém conhecido fala, mesmo que de forma indireta, sobre dor emocional, isso valida o sofrimento de quem está em silêncio. Mostra que cuidar da saúde mental é uma necessidade humana, não um sinal de fraqueza”, afirma.
Mais do que especular diagnósticos, casos como o de Fiuk reforçam a mensagem central do Janeiro Branco: falar sobre emoções com empatia, reduzir estigmas e estimular o cuidado contínuo com a mente. Em um cenário onde as redes sociais se tornaram espaço de expressão, atenção, escuta e acolhimento seguem sendo ferramentas essenciais para transformar visibilidade em cuidado real.
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