Os Gaviões da Fiel atravessaram o Sambódromo do Anhembi no último sábado pelo Grupo Especial do Carnaval de São Paulo 2026. Quarta escola a pisar na Passarela do Samba, a apresentação foi marcada pela leitura fácil do enredo e pelo alto rendimento do samba ao longo do cortejo, encerrado após 63 minutos de desfile. A Fiel Torcida levou para a Avenida o enredo “Vozes ancestrais para um novo amanhã”, desenvolvido pelos carnavalescos Júlio Poloni e Rayner Pereira.
A escola entrou confiante após bons resultados recentes, e a arquibancada respondeu à altura. A torcida lotou o sambódromo e cantou durante toda a apresentação, impulsionando o desempenho do conjunto. Apesar de alguns deslizes pontuais nas alegorias, o resultado geral foi satisfatório e mantém viva a expectativa pelo pentacampeonato, agora dependente da avaliação dos jurados.

A comissão de frente, coreografada por Helena Figueira, apresentou o quadro “O Transe de Yakoana”. Inspirado na tradição Yanomami, o número representou o ritual xamânico que permite a comunicação com os espíritos da floresta, os Xapiris. A narrativa evocou o chamado “tempo do sonho”, período anterior à invasão das terras indígenas. Um xamã personificou a voz ancestral e, no momento em que o yakoana era aceso, componentes surgiam no topo de quatro tripés, criando uma cena imersiva e eficiente para abrir o desfile.

O primeiro casal, Wagner Lima e Carolline Barros, desfilou pelo segundo ano consecutivo representando “A visão de Omama, Thueyoma e as Serenas”. A dupla executou coreografias dentro da proposta temática, com balizamentos corretos, elegância e boa sincronia. O quesito tornou-se um dos pontos positivos da apresentação.
O enredo funcionou como um manifesto indigenista ao valorizar a história e os saberes dos povos originários. A escola propôs uma reflexão sobre descolonização do pensamento e preservação ambiental. A narrativa percorreu períodos históricos desde a era pré-colonial até os impactos da colonização, como doenças, queimadas e violência contra indígenas e fauna. O desfecho apontou para um futuro guiado pelos conhecimentos ancestrais, retomando a ideia de Pindorama como referência simbólica.
As fantasias contribuíram de forma clara para contar a história. Alas e setores se comunicaram visualmente com coerência, bom acabamento e leitura imediata. Não foram observadas falhas relevantes, o que pode favorecer a escola na apuração.

O conjunto alegórico contou com quatro carros e um tripé. O abre-alas, “A Visão do Templo dos Sonhos”, apresentou o universo espiritual percebido pelo xamã após o transe. O carro “O Tempo da Estrada” retratou a destruição causada pelos invasores europeus, enquanto “Guerra ao Xawara” mostrou o confronto mítico contra a criatura simbólica da doença. O último carro, “Brasil Guajupiá”, representou a transformação do país na terra sem males. A plástica geral foi impactante, porém falhas de iluminação e efeitos apagados no abre-alas, além de inconsistências estruturais e problemas de acabamento em esculturas, podem custar décimos.
Na harmonia, a comunidade demonstrou força. O canto foi contínuo e vigoroso, mantendo o andamento elevado e envolvendo o público. A evolução também foi adequada ao tamanho do contingente, com recuo de bateria bem executado, apesar de pequenas oscilações diante de um módulo de jurados.

O samba-enredo, composto por Renato do Pandeiro, Rica Leite, Luciano Rosa, Cacá, Vini, Beto Cabeça, Don Souza, Portuga, Alves, Willian Tadeu e Biro, foi defendido pelo carro de som liderado pelo intérprete Ernesto Teixeira, há mais de quatro décadas na escola. Após ajustes de tonalidade desde a versão inicial, a obra ganhou cadência e encaixou bem no andamento da bateria, permitindo que os componentes cantassem com clareza. A expectativa por nota máxima no quesito é considerada real.

À frente da bateria Ritimão, comandada por Mestre Ciro, a rainha Sabrina Sato foi um dos destaques do desfile. A bateria apresentou bossas bem executadas e apagões respondidos com intensidade pela comunidade, fechando o recuo com segurança.

No conjunto, os Gaviões da Fiel apresentaram um desfile didático, vibrante e competitivo, credenciando a escola a brigar novamente pelas primeiras posições na apuração.
Foto: Tiago Ghidotti / EGOBrazil
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