A discussão sobre inteligência artificial (IA nas pequenas e médias empresas (PMEs) vem ganhando densidade à medida que estudos recentes deixam claro que o impacto da tecnologia depende menos da sofisticação das ferramentas e mais da forma como elas são implementadas. Em vez de soluções prontas ou aplicações isoladas, a literatura aponta para a necessidade de integração estratégica da IA aos processos decisórios, à estrutura organizacional e à governança das empresas.
Um estudo acadêmico publicado em 2025 em periódico internacional da área de economia digital analisou a relação entre adoção de inteligência artificial, capacidades internas e desempenho empresarial em PMEs. A pesquisa conclui que a IA atua como um elemento mediador: seus efeitos positivos sobre eficiência, inovação e crescimento só se materializam quando a empresa apresenta um nível mínimo de prontidão tecnológica, clareza estratégica e capacidade gerencial.
De acordo com os autores, a simples adoção de ferramentas baseadas em IA não garante melhorias de desempenho. O estudo destaca que dados desorganizados, processos pouco estruturados e ausência de governança reduzem significativamente o potencial da tecnologia, mesmo quando há interesse da liderança em inovar.
Para Robson Luis Magnani, consultor empresarial especializado em modernização tecnológica e implementação de inteligência artificial em pequenas e médias empresas, os achados da pesquisa refletem um padrão recorrente observado no mercado. “O estudo confirma algo fundamental: inteligência artificial não é um atalho para resolver problemas estruturais. Ela amplia capacidades existentes, mas não substitui método, organização e tomada de decisão consistente”, afirma.
Magnani ressalta que muitas PMEs iniciam projetos de IA motivadas por pressões competitivas ou tendências de mercado, sem um diagnóstico prévio. “A pesquisa mostra que a prontidão tecnológica é decisiva. Isso envolve desde a qualidade dos dados até a clareza dos processos. Quando essa base não existe, a IA não entrega resultados relevantes”, explica.
Outro ponto enfatizado pelo estudo é o papel da liderança. Embora a visão estratégica dos gestores seja importante para iniciar a adoção, os autores indicam que os ganhos sustentáveis dependem de acompanhamento, métricas e integração da tecnologia às rotinas de gestão. Para Magnani, esse é um dos principais desafios enfrentados pelas PMEs. “Liderança sem execução não transforma a empresa. A implementação da IA precisa estar ligada a indicadores claros e a uma governança mínima, ou o investimento se perde”, observa.
A pesquisa também aponta que, em contextos de maior restrição econômica, as aplicações de IA tendem a ser mais pragmáticas, voltadas à redução de custos, previsibilidade de demanda e melhoria do relacionamento com clientes. Segundo Magnani, esse dado reforça a importância de soluções sob medida. “PMEs não podem replicar modelos de grandes corporações. A implementação precisa respeitar o estágio de maturidade do negócio e atacar gargalos reais”, afirma.
Na avaliação do consultor, o principal valor do estudo está em deslocar o debate da tecnologia para a capacidade de implementação. “O trabalho mostra que a inteligência artificial só se torna um diferencial competitivo quando está inserida em um projeto claro de modernização empresarial. Sem isso, ela permanece como uma ferramenta isolada, com impacto limitado”, conclui.
Ao reunir evidências empíricas e um modelo analítico consistente, a pesquisa contribui para uma abordagem mais realista sobre o papel da inteligência artificial nas pequenas e médias empresas. O desafio, segundo especialistas, não está apenas em adotar novas tecnologias, mas em desenvolver estruturas organizacionais capazes de transformá-las em resultados sustentáveis.

Perfil do especialista
Robson Luis Magnani é consultor empresarial com atuação focada na modernização tecnológica e na implementação estratégica de inteligência artificial em pequenas e médias empresas. Possui formação em Engenharia Agronômica, com pós-graduação em Proteção de Plantas, além de MBAs em Marketing Estratégico e Administração Executiva. Ao longo de mais de 25 anos de trajetória profissional, atuou em funções técnicas, comerciais e de gestão em grandes empresas, acumulando experiência em estruturação organizacional, governança corporativa e avaliação de modelos de negócio.
Nos últimos anos, direcionou sua atuação para a consultoria estratégica, apoiando PMEs em processos de transformação digital, integração de tecnologia à tomada de decisão e fortalecimento de práticas de governança. É conselheiro certificado pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) e atua como advisor e membro de conselhos consultivos, contribuindo para a implementação disciplinada de soluções tecnológicas alinhadas aos objetivos estratégicos das empresas.
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