Especialistas destacam que o planejamento estruturado e a previsibilidade de gestão transformam o interesse global em ativos sólidos de longo prazo
A busca por internacionalização tem avançado entre empresários brasileiros interessados em diversificar receitas, acessar novos mercados e ampliar a presença global, mas transformar esse movimento em resultados sustentáveis exige mais do que abrir uma empresa ou estabelecer uma operação fora do país. Planejamento, adaptação local e capacidade de execução passaram a ser fatores determinantes para o sucesso dessa jornada.
Franco Scornavacca, conhecido nacionalmente como Kiko do KLB, é fundador da MD1 Nexus, empresa especializada em aceleração de negócios, conexões empresariais e expansão internacional. Com mais de três décadas de atuação na construção de relacionamentos empresariais entre Brasil e Estados Unidos, ele observa que muitas empresas ainda tratam a internacionalização como uma iniciativa comercial isolada, sem preparar a estrutura necessária para competir em outros países.
“A internacionalização exige muito mais do que investimento financeiro ou abertura de empresa. É preciso compreender o consumidor local, desenvolver relacionamentos estratégicos, adaptar processos e construir uma gestão preparada para operar em diferentes realidades. Quando isso não acontece, os riscos aumentam significativamente”, afirma o executivo.
A expansão das cidades médias acompanha um momento de forte atratividade internacional do mercado brasileiro. Dados publicados pela OCDE em 2026 apontam que o país recebeu cerca de US$ 77 bilhões em investimentos estrangeiros diretos em 2025, ocupando a terceira posição global, logo após Estados Unidos e China. O indicador demonstra como o ambiente de negócios nacional e suas empresas estão conectados aos fluxos globais de capital.
Abrir uma operação é apenas o começo
Na avaliação do fundador da MD1 Nexus, uma das falhas mais comuns ocorre quando empresas tentam reproduzir em outros países as mesmas estratégias utilizadas no Brasil, sem considerar diferenças regulatórias, culturais e comerciais.
“Muitos empreendedores acreditam que basta levar para outro país aquilo que já funciona aqui. Na prática, cada região possui hábitos de consumo, exigências legais e formas de relacionamento próprias. O sucesso depende da capacidade de adaptação”, diz.
Estudos da OCDE mostram que acesso a conhecimento local, relacionamento empresarial, qualificação da gestão e capacidade de adaptação continuam entre os principais fatores que influenciam processos de expansão para mercados internacionais.
Para o empresário, o networking qualificado também se tornou um diferencial competitivo. A construção de conexões com parceiros, investidores, fornecedores e lideranças locais pode acelerar o desenvolvimento das operações e reduzir erros comuns de entrada em novos países.
“Existe uma diferença enorme entre chegar sozinho a um novo país e chegar conectado às pessoas certas. O relacionamento estratégico pode encurtar caminhos, reduzir custos e abrir oportunidades que dificilmente seriam acessadas apenas por meio de prospecção tradicional”, observa.

Governança ganha protagonismo na atuação internacional
Além da adaptação comercial, a governança corporativa passou a ocupar papel central para empresas que desejam crescer além das fronteiras nacionais. Processos padronizados, acompanhamento de indicadores e capacidade de tomada de decisão tornam-se ainda mais importantes quando a organização passa a operar em diferentes localidades.
Segundo o empreendedor, muitas companhias enxergam a expansão para outros países apenas como uma oportunidade de vendas, quando na prática o movimento exige amadurecimento estrutural.
“Quando uma empresa inicia sua atuação internacional, ela passa a lidar com novas exigências, novos parceiros e novos desafios de gestão. Isso exige organização, previsibilidade e capacidade de execução. Sem essa base, o crescimento tende a ser mais lento e mais custoso”, afirma.
A tendência, segundo ele, é que o interesse pela atuação global continue crescendo nos próximos anos, impulsionado pela digitalização, pelo fortalecimento das conexões empresariais e pela busca por novas oportunidades de desenvolvimento.
“A internacionalização continua sendo uma das estratégias mais eficientes para ampliar oportunidades de negócios e acessar novos mercados. Mas resultados consistentes dependem de planejamento, inteligência de mercado e execução estruturada”, conclui.
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