A Mancha Verde foi, no último domingo, a quarta escola a desfilar pelo Grupo de Acesso I do Carnaval de São Paulo em 2026. Com o enredo “Pelas mãos do mensageiro do Axé, a lição de Odú Obará: a humildade”, assinado por Rodrigo Meiners, a agremiação apresentou um desfile marcado por uma comissão de frente impactante e pelo retorno de um samba clássico à pista do Anhembi. Os portões da Passarela do Samba foram fechados após 59 minutos de apresentação.
Tradicional candidata ao Grupo Especial, a escola realizou uma exibição com padrão elevado e, em vários quesitos, dentro do esperado. Ainda assim, problemas pontuais observados na Avenida podem dificultar o caminho rumo ao acesso, sobretudo diante do nível competitivo previsto para a disputa.

A comissão de frente, coreografada por Marcos Kazan e Wender Luciano, apresentou o quadro “Panteão dos Orixás – Olorum revela os caminhos”. Em uma narrativa espiritual, Exu transmite a um babalorixá, por meio do jogo de búzios, os saberes sagrados, assumindo a missão de levar à Terra os ensinamentos de Olorum. Outros orixás, como Xangô, Oxum e Obaluaê, também foram representados. A coreografia demonstrou grande sensibilidade e a caracterização dos personagens valorizou o quesito, figurando entre os melhores momentos do desfile.

No quesito mestre-sala e porta-bandeira, a escola trouxe uma nova formação definitiva. A veterana Adriana Gomes, com mais de dez anos de casa, passou a formar dupla com Thiago Bispo, após já terem dançado juntos em 2024. Vestindo fantasias que representavam os “Saberes ancestrais iorubá”, o casal apresentou irregularidade em alguns módulos.

A fantasia volumosa de Adriana aparentava peso e limitou a fluidez dos movimentos, agravada pelo vento na pista. Em dois módulos, Thiago demonstrou dificuldade de adaptação ao ritmo da parceira, o que pode impactar a avaliação.

O enredo é uma reedição do tema apresentado pela escola em 2012, quando emplacou um dos sambas mais lembrados de sua história. A proposta de 2026 buscou reinterpretar a mensagem: um babalorixá procura respostas para salvar um mundo em desequilíbrio espiritual. A partir do jogo de búzios surge a lenda de Odu-Obará, guerreiro nomeado senhor do destino por Orunmilá que, ao aceitar humildemente abóboras enquanto outros aguardavam tesouros, descobre que nelas estavam as riquezas desejadas. O ensinamento sobre prosperidade e humildade foi bem traduzido visualmente e configurou um dos enredos mais consistentes do ano.

O conjunto alegórico contou com três carros: o abre-alas “Ifá e o jogo de búzios”, o segundo carro “Odu-Obará – A riqueza na lição da humildade” e o terceiro “Mundo utópico do Supremo Criador”. A volumetria foi compatível com padrões de Grupo Especial e a narrativa ficou clara, embora falhas de acabamento possam gerar descontos.

As fantasias ampliaram a leitura do enredo e funcionaram bem na pista. Além do bom apuro estético, apresentaram leveza adequada para evolução dos componentes, tornando-se um dos quesitos mais seguros da apresentação.
Na harmonia, a comunidade cantou intensamente do início ao fim, sustentada por um samba conhecido e consolidado em sua quadra há mais de uma década, contribuindo para um desfile vibrante.

Na evolução, a escola iniciou o cortejo efetivamente três minutos após a abertura dos portões. O andamento foi correto durante boa parte do percurso, mas houve demora no preenchimento do espaço após o recuo da bateria e, na parte final, aceleração diante do terceiro módulo, abrindo um vazio à frente do último carro.
O samba-enredo, de Armênio Poesia, Chanel Rigolon e do intérprete Fredy Vianna, voltou a ser cantado com força pela comunidade. Curiosamente, em 2012 marcou a estreia de Fredy na escola, e novamente mostrou encaixe eficiente com o conjunto visual, tornando-se um dos principais trunfos na apuração.

Entre os destaques finais, a bateria “Puro Balanço”, comandada pelos mestres Cabral e Viny, manteve andamento preciso e ajudou a sustentar a energia do desfile, honrando a tradição musical da agremiação.

Fotos: Tiago Ghidotti / EGOBrazil
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